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segunda-feira, 2 de abril de 2012

SHANTALA! Parte 2

Seguindo nosso encontro com a Shantala, depois que o espaço está preparado, conforme explico aqui. Olhe para o seu bebê, diga que vão fazer a massagem e comece fazendo carinhos em seu bebê, sempre olhando em seus olhos e transmitindo todo seu amor através das mãos e olhares:

Como meu filho está grande, coloco sua cabeça apoiada
em meus pés e o corpo sobre o colchonete. Começamos pelo peito.

Ele brinca, faz massagem em si, dá risadinhas!

Depois do peito é a vez da barriga. Movimentos circulares
em sentido horário e depois para baixo, em direção a você.

Sempre que preciso, coloco mais óleo (ou creme) e fricciono
as mãos para que fiquem mais quentes. 

Depois da barriga, fazemos nos braços, mãos (e dedinhos).

As pernas e os pés. 

O rostinho, nessa parte ele deixa suas brincadeirinhas e
relaxa de verdade!

Viradinho de costas, movimentos de vai e vem .

E descendo dos ombros até bumbum, depois até os pés.

Se ele está quase dormindo, o próximo passo é
um abraço bem gostoso e beijos. Se ainda está
acordadinho, faço movimentos cruzados
entre braços e pernas, abrindo-os e
 fechando-os (braço direito com perna esquerda)

E assim ele termina mais uma shantala.

Os detalhes dos movimentos podem ser aprendidos no livro original de Frédérick Leboyer, Shantala.

-O toque é suave, firme e com movimentos lentos.
Para que você não se perca em pensamentos e comece a fazer rápido, respire, lembrando das ondas do mar, respirações longas e profundas e a cada inspiração e expiração, realize os movimentos circulares e na sua direção, lentamente.

-Repita várias vezes em cada região: no peito, até passar para a barriga, sinta o intestino movimentando. Depois faça os movimentos circulares, segurando primeiro um braço e depois o outro (da mesma forma com as pernas) como se sua mão fosse um bracelete, a envolver todo o braço, subindo em sua direção. Lembre-se das mãos e pés e dos dedos (se esqueço, meu filho pede: deditos, mamãe)! A seguir, passe para o rostinho, faça um carinho suave e passe seus dedos sobre a sobrancelha, circulando os olhos (e fechando-os), descendo no nariz e parando ao lado das narinas com uma leve pressão (isso ajuda a descongestionar rinites e sinusites), passe os dedos ao redor da boca e lembre-se da orelha.

- Vire o bebê de costas, em sentido tranversal ao seu. Apoie a cabecinha dele no seu colo e faça movimentos de vai e vem nas costas. Depois descendo dos ombros até o bumbum. Depois eleve levemente seus pezinhos e faça dos ombros aos pés.

-Depois da massagem tem os movimentos de abertura cruzada com pernas e braços. Meu filho adora!

-Abraços gostosos e beijos sempre finalizam a massagem!

Finalizam? Ou não! O banho completa o relaxamento! O poder de uma água morna no corpo flutuante, apoiado pelas mãos dos pais é uma delícia!

Contemplem as imagens, vejam a sequencia!
Comecem apenas acariciando seus filhos, vejam o que diz Frédérick Leboyer:

"Você dirá: Oh! Mas isto toma tempo! Sim. (...)
Para penetrar em qualquer arte é preciso ter tempo.
Pois que em toda arte há uma técnica. Que é preciso aprender e dominar.
Técnica e aprendizagens inscrevem-se no tempo.
Mas as duas um dia estarão superadas, esquecidas, e a gente desembocará...
em alguma coisa que só pertence à arte.
E que estava lá o tempo todo." 




sexta-feira, 30 de março de 2012

SHANTALA! Parte 1

Vocês já devem ter lido que aos poucos tenho voltado a trabalhar! Primeiro abri meu atelier (em casa), revesando os cuidados do Lu com meu marido (um dia na semana eu trabalho e ele cuida do Lu e no outro, ele trabalha e eu cuido do Lu. Depois conto melhor sobre isso!). Agora que nosso pequeno está indo à escola, estou voltando também com meu trabalho Materno Infantil. Dentre as orientações e atividades que faço com as mamys, gestantes, casais e bebês, está a Shantala, que eu AMO! Hoje quero compartilhar algumas fotos e dicas sobre esse momento tão mágico entre pais e bebê, que ensino em cursos e pratico com meu pitoco desde que nasceu até quando ele quiser!

A Shantala é uma massagem de origem indiana e que foi difundida pelo maravilhoso obstetra Frédérick Leboyer.  Acima de qualquer coisa, é um momento de alegria e muito afeto entre pais e bebê, que entre outras coisas, proporciona:

-Alívio para cólicas;
-Ativação do hormônio do sono, melhorando a qualidade desse;
-Relaxamento muscular e de articulações, facilitando o desenvolvimento global;
-Construção de uma auto estima fortalecida e positiva;
-Melhora das funções gastrointestinais e respiratórias;
-Melhora da auto estima da mãe.


Faço todos os dias no Lucano (salvo quando há contra  indicações) e ele já entende que faz parte da rotina e, você verão nas fotos, ele mesmo faz uma "auto massagem"de vez em quando! No começo a criança pode sentir-se incomodada (por que a maioria das crianças incomoda-se com novidades!), para ajudar a criança a acostumar-se, vale as dicas:

-Leve a criança para um ambiente quentinho, sem passagens de ar.  Se necessário use aquecedor, pois  o ambiente aquecido deixa as crianças mais seguras e confortáveis;
-Faça mais ou menos sempre no mesmo horário e local;
-Se for de dia, deixe o sol entrar por entre cortinas, se de noite, deixe apenas um abajur aceso;
-Coloque sempre uma mesma música calma, relaxante (ou se preferir, deixe silencioso e cantarole suavemente);
-Prepare o lugar com todas as coisas que irá precisar à mão, para não ter que levantar depois que sentou com a criança (as coisas são uma toalha, a fralda e roupa que ela colocará depois e o óleo ou creme);
-Sente no chão (em cima de colchonete ou tapete de e.v.a), coloque uma toalha sobre suas pernas (porque o bebê pode relaxar a ponto de fazer  xixi ou cocô) e coloque o bebê sem fralda ou roupa sobre suas pernas, em cima da toalha;
-O óleo usado deve ser apenas de tipos vegetais, como de semente de uva ou amêndoas. Os óleos ficam mais quentinhos no contato com a pele. Embora não seja o tradicional, pode-se fazer com cremes hidratantes próprios para bebês, porém, ao colocar na mão já sentimos o geladinho, então é importante friccionar bem as mãos para aquecê-las.

A Shantala tem uma sequência de movimentos, que deve ser seguida a medida que os pais apreendem. Porém, o mais importante não é ficar nervosa com "o que faço agora", mas entregar-se a massagear carinhosa e firmemente, lembrando o ir e vir de ondas. Aliás, ficar nervosa, apreensiva ou ansiosa porque "agora vou fazer A massagem", deixa a criança agitada e piora a aceitação e entrega dela também!

Relaxe, tire qualquer pensamento da cabeça, sinta os movimentos, olhe para o bebê, perceba suas reações, sorria, seja feliz naquele momento com seu bebê. Isso já é quase tudo, depois da técnica aprendida!

Com mais tempo, coloco as fotos da técnica!
Para quem mora no Rio Grande do Sul ou Paraná, dou o curso para grupos. Em Porto Alegre e região, ensino à domicílio. Importante que depois de aprender, sigo dando os apoios necessários até que todos acostumem-se com a técnica e consigam deleitar-se em casa!

Até mais! Um beijo, Ju

domingo, 18 de março de 2012

Dicas sobre bebês (ou o que fazer com meu bebê)


Já ouvimos, mais de uma vez, coisas do tipo: "O bebê pequenininho não faz nada!" ou "Ele não brinca muito, fica só conosco" ou "O que eu faço com meu bebê em casa?" São pensamentos e dúvidas bastante comuns! Quando nasce um bebê, estamos nascendo como pais também e precisamos de tempo para olhar para nosso bebê e percebê-lo: como ele reage a diferentes estímulos, do que mais gosta, o que o deixa incomodado, por que está chorando.

Imaginem que o bebê recém nascido está experimentando o mundo: seus sons, odores, gostos, luzes; além de estar experimentando-se como ser no mundo: seu intestino, pulmões, o sentir na pele, a fome, os medos, etc. Maiorzinho, o bebê experimenta o corpo no espaço, rola, sobe e desce, alcança, chama, experimenta sabores diversos. Como "projetinho de criança" testa seus limites (e o dos outros) e aventura-se por horizontes mais largos. Durante todas essas fases, ele está em constante relação com o mundo e conosco, desde o primeiro dia: quando ouve a voz dos pais (e as reconhece!), quando vê os rostos adultos, cores e luzes, quando sente frio e calor, quando sente sono e fome. Sua forma mais evidente de comunicação é o choro. Porém, ele se comunica com o corpo todo, quando mexe as mãos, volta a cabeça para um lado, torce o corpo e balbucia.

Uma das melhores formas de conhecer seu pequenino bebê e entender suas formas de comunicação é estar em contato direto com ele. Como?

- Slingando: O sling é um "carregador de bebês" e muito mais do que isso, é uma maneira de estar o maior tempo oferecendo amor, calor e aconchego ao bebê, enquanto realizamos tarefas como um passeio na rua ou uma refeição. Quando o bebê está no sling sente o ritmo dos passos de quem o carrega, o cheiro, o calor, o coração. Sente-se aninhado e seguro: O mundo é acolhedor!

- Olhar e conversar: Dê-se longos tempos para ficar olhando para o seu bebê, acariciando, conversando com ele (mesmo que no começo você ache estranho), dizendo a ele como ele é bonito e amado, fazendo brincadeirinhas com sons e cócegas. Contar histórias e cantar acalma, é um abraço com a voz. Enquanto troca sua fralda, nomeie a ele as partes de seu corpo, diga a ele tudo o que está fazendo, assim deixamos o bebê seguro e contribuimos para a construção de sua linguagem. De uma forma profunda, estamos dizendo a ele: você é amado e aceito!

- Massagear/ Fazer Shantala: Inúmeras referências citam o fato de pessoas (e animais) que não são tocados, deixam-se morrer, mesmo que tenham comida! A falta do toque produz efeitos devastadores na maneira como os seres se relacionam e constróem sua auto estima! Por outro lado, massagear de forma delicada, segura e constante, dá vida, libera hormônios como os do sono, relaxa tensões, aliviando cólicas, libera articulações, facilitando a amplitude de movimentos e consequente aprendizado, facilita relações, uma vez que deixa registros de afeto, acolhimento e aceitação extremamente positivos para a construção de um ser humano saudável física e emocionalmente.

- Banho de balde/ Ofurô de bebês: Nos primeiros meses, o bebê ainda apresenta padrões de comportamentos uterinos, como reflexos e posição fetal. Ele está em transição entre os mundos em que habitava (o útero) e o que habita. Por esse motivo, a maneira como seguramos o bebê deve ser delicada, flexionando seus joelhos e apoiando o bumbum e a nuca, trazendo-o sempre para perto de nosso peito. Imagine como deve ser assustador, de repente, estar despido, sentindo a pele em contato com o ar e ser colocado numa banheira, onde o corpo está solto e o peito aberto...O banho de balde reproduz o ambiente uterino: apertadinho, onde o bebê senta-se com as perninhas flexionadas e os braços cruzados em frente ao peito, ele sabe que dali não pode cair! Com o tempo, ele bate na água, mexe os pezinhos e até pula, ampliando os movimentos com segurança. Quando não cabe mais no balde ou pula o tempo todo, já está seguro para relaxar, boiando na banheira e aproveitando a possibilidade de ampliar seus movimentos!

- Rituais: Os bebês amam rituais, estes antecipam o que irá acontecer, dando maior segurança a eles. Procure amamentá-lo de três em três horas. Observe em que padrão de horários seu bebê costuma sentir cólicas e prepare uma shantala para antes disso acontecer. Apague as luzes de casa, deixando abajures acesos e coloque música suave perto da hora de dormir à noite, inclusive faça o ritual do sono mais ou menos sempre na mesma hora, seguindo os mesmos passos, que podem ser: ambiente calmo, historinha, shantala, banho e mamá! Nossos pequenos têm uma capacidade adaptativa imensa, e logo saberão que é hora de alimentar-se ou dormir, evitando choradeiras homéricas e noites mal dormidas!

- Brinque: Desde os primeiros dias, o bebê brinca: com suas mãozinhas e pés, com a voz (balbuciando). Deite-o em cima de um tapete e ofereça chocalhos, brinquedos macios e coloridos, deixe-o bater em briquedinhos pendurados e ver o que acontece. O brincar é a maior forma de aprendizado da criança, e podemos ensinar o bebê como se brinca e deixar que ele explore os objetos e dê novas funções ao que já aprendeu. Isso aumenta o número de sinapses, ou comunicação dos neurônios e prepara o cérebro para encontrar mais soluções e acomodar infromações de forma mais eficiente, do que um bebê que não tem estímulo algum! O resultado da gente se entregar, brincando no chão? Crianças mais satisfeitas nas relações, seguras, alegres e com uma ampla gama de informações que beneficiam seu cresimento e inteligência!

-Busque ajuda! Tornar-se mãe/ pai, é um processo de conhecer nosso filho, de combinar o que queremos para ele, de estabelecer novas rotinas, de estra amplamente disponível ao outro. No início, a prolactina dá uma "bagunçada" no funcionamento do nosso corpo e emoções e por isso, e pelas mudanças todas que se estabelecem, estamos naturalmente mais sensíveis. Pedir e aceitar ajuda e a companhia de amigas e familiares alivia toda uma carga, que pode deixar tudo desnecessariamente mais trabalhoso e cansativo. Foi para oferecer suporte de informação e trocas que este blog foi criado, venham sempre, perguntem, estejam em casa!

Um beijo, Ju.