Antes tarde do que nunca...Ontem fomos assistir ao Renascimento do Parto. ( ! )
A cada cena, a moça a meu lado se contorcia na cadeira, meus olhos vertiam lágrimas enquanto meu coração retumbava no peito o nó da garganta. Embora eu seja uma profissional da área da saúde, porque não fui atrás dessas informações ha 4 anos?
Minha história foi contada pelos olhos e vozes de muitas mães e profissionais comprometidos com a felicidade do mundo (que começa quando nascemos). A mesma história: Bolsa rota em casa, o médico orienta irmos ao hospital, então começa a grande farsa! "Você não teve dilatação, seu bebê vai entrar em sofrimento, precisamos tirá-lo para sua segurança e dele!" Mensagens subliminares da cultura do medo. Temos medo da morte, medo do parto, a sexualidade é tabu (ainda!). E o parto traz a tona tudo isso que a medicina do achismo se aproveita para protagonizar um momento que deveria ser tão natural quanto quando fazemos o bebê (ou o médico precisa estar conosco na cama?). A gente confia no médico, mas não confiamos em nós mesmos!!! Na nossa capacidade de gerar, conseguir, ir em frente, sentir!
O que aconteceu com os altos índices de cesariana no Brasil tem a ver com o medo de sentir. É mais fácil que eu não me envolva, que "a coisa" venha pronta pra que eu não passe trabalho, que meus medos fiquem quietinhos lá dentro, que meus hormônios não se ativem, e que eu tome alguns remedinhos que me deixarão "tranquila". Pois aí é que está o engano! Se não nos informarmos direito, continuaremos a criar uma sociedade que não sente, que não se envolve, onde as relações são descartáveis e a gente só para (quando pára) pra perceber quando estamos doentes ou alguma coisa muito grave acontece pra gente se dar conta que precisamos ter mais presença!
O que escrevo aqui não é uma crítica pessoal, é uma crítica à cultura que engolimos e repetimos como se fosse verdade sem buscarmos evidências. Só que a gente pode parar de repetir "verdades" infundadas sobre o parto e o nosso nascimento como mães e dos nosso filhos, e entender o que está por trás "do cordão enrolado, da bacia estreita, do gorda demais ou magra demais, da bolsa rota, da ausência do trabalho de parto, do não teve dilatação" e mais do que isso, as consequências (graves) de sermos levadas à cesárias desnecessárias.
E então você olha pra mim e diz:
"Mas correu tudo bem! Meu filho está saudável, viu?"
(eu sei, pensei muito isso pra justificar porque não tive um parto normal). Mais uma desculpa da medicina que tem hora marcada, que não pode esperar a hora certa de nascer e que ganha muito pouco com partos normais. Sabe por que eu não tive trabalho de parto e o Lucano estava alto? Porque não nos deram o tempo fisiológico para que liberássemos nossos hormônios e seguíssemos o tempo da vida. Suprimiram minha cadência natural quando me deitaram naquela cama antes de tudo começar, impedindo a liberação dos hormônios que só o seriam com amor e aconchego. Ninguém gritou comigo no hospital, meu marido estava ao meu lado e a sala estava com luz suprimida, palco montado do falso uso do termo "parto humanizado". Então quando falam em "Violência Obstétrica", você diz: "Não!! Me trataram bem! Meu filho nasceu saudável!", e fica escondido que os "procedimentos padrão" são desnecessários e que por si só já são uma violência, pois inibem a produção de hormônios que ajudarão na saúde física e emocional de mães e filhos antes, durante e depois do nascimento e te tratam como mais um, sem considerar sua história, seu emocional, seu momento!
Então, eu olho pra você e digo: Vá ver esse filme!! Uma sociedade que repete o que todo mundo diz, sem beber da evidência científica, é dominada por interesses comerciais. Todo mundo deveria saber o que o filme retrata!!
Agradeço profundamente aos diretores do filme, Erica de Paula e Eduardo Chauvet. A todos que apoiaram a realização desse filme e aos profissionais sérios e comprometidos conosco que participaram dele: Michel Odent - médico fisiologista, Ricardo Jones - obstetra e homeopata, Melania Amorim - obstetra e pesquisadora, Esther Villela - Coord. da Área Téc. da Saúde da Mulher, no Ministério da Saúde, Daphne Rattner - médica epidemiologista, Laura Uplinger - psicóloga, Heloissa Lessa - enfermeira obstetra, Ana Cristina Duarte - obstetriz, Naoli Vinaver - parteira mexicana, Robbie Davis-Floyd - antropóloga, autora de Birth as an American Rite of Passage, entre outros.
Depois do filme, meu marido olha pra mim e diz: "Nosso próximo filho vai nascer em casa!"
Aí meu coração bate tranquilo, ele também acredita que somos capazes de gerar saúde e cuidarmos de nossa vida sem sermos medicalizados por medo!
* Só uma observação: meu filho nasceu num dos "melhores" hospitais de Porto Alegre, Moinhos de Vento, que brada a quatro ventos que agora tem ambiente humanizado, mas segue fazendo cesárias pra dar e vender. Quando cheguei ao hospital, sem trabalho de parto, fizeram lavagem intestinal e rasparam meus pêlos bem ali onde, horas depois, cortaram minha barriga pra tirar meu filho, que tinha batimentos cardíacos completamente normais até a cirurgia! (Como eu liberaria todos os hormônios necessários a um TP após uma lavagem intestinal??? Montaram o cenário perfeito pra um cesária às 07h da manhã, pra que a médica pudesse manter sua agenda normal 30 minutos depois do procedimento). A mesma médica que passou minha gestação dizendo: preocupe-se com o parto na hora do parto! Fuéfuéfuéfué.
Nascendo como mãe, nasceu em mim alguém que olha pro mundo e quer fazê-lo melhor! Voltei minhas forças para a Educação, que é a base de uma sociedade empoderada de si mesma para gerar filhos felizes e uma sociedade equilibrada. Vamos estudar juntos, vamos questionar, saber ao invés de aceitar, vamos "organizar uma tribo que nos apoie e ofereça companhia e compreensão" como diz Laura Gutman, para crescermos como seres humanos e educarmos nossos filhos para serem lúcidos e felizes!
domingo, 1 de setembro de 2013
domingo, 17 de fevereiro de 2013
O Ministério da saúde adverte (o que doulas já falam há muito)
Se o Ministério da Saúde recomenda (e adverte), se há práticas que há mais de 10 anos são obsoletas (e segundo o ministério, foram banidas!), por que hospitais considerados "os melhores" das cidades, como o moinhos de vento em POA, continuam usando de práticas invasivas que todo mundo tá dizendo que não se fazem mais? As doulas já estão falando isso há muito, precisam gritar, lutar, por uma coisa que é natural e cientificamente comprovada.
Quero levar informação às pessoas, para que a gente pare de aceitar coisas protocoladas que não fazem mais sentido e se configuram como violência! Vejam o que diz o ministério da saúde (pra quem ainda não escutou o barulho das doulas e precisa de mais credenciais):
"Os procedimentos modificaram até cerca de 10-15 anos atrás, ela (a gestante) ficava em jejum, por exemplo, ela tinha uma depilação feita na região que potencialmente pudesse estar envolvida no momento do parto, era feita uma lavagem intestinal e hoje isto já está completamente proscrito (isto significa: banido!).
Para diferenciar más de boas práticas é importante você e sua família saberem que é considerado uma MÁ prática a episiotomia, aquele corte no genital da mulher, sem uma indicação correta. A minoria das mulheres tem necessidade dessa indicação. Já uma BOA prática é a mulher ter o apoio contínuo da equipe, do acompanhante e da doula.
No SUS a mulher é incentivada a fazer o parto na vertical, nessa posição a força da gravidade facilita o nascimento do bebê, a circulação sanguínea da placenta aumenta e as articulações se expandem mais, melhorando as contrações. Depois do parto o estímulo é para manter o contato direto da mãe com o bebê."
Hospital Moinhos de Vento, retrate-se por continuar fazendo as más ações em seu protocolo.
Pra quem está curtindo a gravidez em sua plenitude, atenção, essas práticas causam sintomas físicos e psíquicos a longo prazo. Ou por que vocês acham que a maioria das mulheres que passam por isso ficam nervosas com as manifestações do bebê, não se sentem capazes de acolhê-lo e tremem quando vão amamentar, dar banho, fazer dormir, etc, etc. E mais, já pararam para pensar por que a maioria dos bebês não é tranquilo? (essa é uma longa conversa, que teremos mais pra frente)
O que estão ensinando nas faculdades de medicina? Por que os médicos mais antigos não se reciclam? Ah! É mais fácil ficar como está, aliás praticar isso gera medicalização, afasta as pessoas de suas conexões, causando dependência dos pacientes no que esses "profissionais" dizem...Além disso, também é mais fácil enrolar a gestante (como fizeram comigo) até a hora que o médico pode atender e se livrar logo de você, fazendo uma cesária...Ou mais fácil ainda, fazer tudo antes do carnaval, ou do feriado, ou do que mais o médico precisar...Mas não pensem que eles todos fazem isso "honestamente", a maioria diz a você: não pense no parto agora (na gestação...mas então quando?), você precisa passar pelo protocolo do hospital: deite-se, precisamos fazer lavagem, raspagem, esperemos o médico...eles acabam com a possibilidade biofisiológica de você ter um parto que facilite a liberação de hormônios benéficos para você e seu bebê, as contrações importantes que trazem junto a capacidade de sentir-se plena, e do bebê ser massageado por toda nossa musculatura, liberando hormônios e possibilitando que sinta-se seguro ao nascer, fortalecendo seu sistema imunológico...
"Ah, mas o que a gente pode fazer?"
Informadas, podemos dizer que não aceitamos que façam isso conosco!
"Ah, mas faltando uma semana pro nenê nascer?"
Sim, essa é a hora: a tempo de termos um atendimento verdadeiramente humano e respeitoso conosco e com nosso bebê, que vai evitar que passemos por maus bocados mais à frente! Informação e Atenção!
Não vamos deixar que as pessoas nos subestimem mais, nos desrespeitem, esse é nosso papel. Depois de termos informação, cada uma de nós, somos responsáveis por estarmos inseguras com nossos filhos, por impedirmos nossos corpos de funcionar como a biologia pede, pela intranquilidade de nossos pequenos, porque continuamos indo no médico que nos enrola, que faz (?) a maioria dos partos dele (?), que diz que devemos cuidar do enxoval, que de nós eles cuidam (???), de quem é mesmo a responsabilidade? Vamos em frente, sejamos ativas, atentas, cuidemos de nós, não vamos mais deixar a responsabilidade na mão de outros por nos cuidar, para depois nos sentirmos culpadas (??).
Quero levar informação às pessoas, para que a gente pare de aceitar coisas protocoladas que não fazem mais sentido e se configuram como violência! Vejam o que diz o ministério da saúde (pra quem ainda não escutou o barulho das doulas e precisa de mais credenciais):
"Os procedimentos modificaram até cerca de 10-15 anos atrás, ela (a gestante) ficava em jejum, por exemplo, ela tinha uma depilação feita na região que potencialmente pudesse estar envolvida no momento do parto, era feita uma lavagem intestinal e hoje isto já está completamente proscrito (isto significa: banido!).
Para diferenciar más de boas práticas é importante você e sua família saberem que é considerado uma MÁ prática a episiotomia, aquele corte no genital da mulher, sem uma indicação correta. A minoria das mulheres tem necessidade dessa indicação. Já uma BOA prática é a mulher ter o apoio contínuo da equipe, do acompanhante e da doula.
No SUS a mulher é incentivada a fazer o parto na vertical, nessa posição a força da gravidade facilita o nascimento do bebê, a circulação sanguínea da placenta aumenta e as articulações se expandem mais, melhorando as contrações. Depois do parto o estímulo é para manter o contato direto da mãe com o bebê."
Hospital Moinhos de Vento, retrate-se por continuar fazendo as más ações em seu protocolo.
Pra quem está curtindo a gravidez em sua plenitude, atenção, essas práticas causam sintomas físicos e psíquicos a longo prazo. Ou por que vocês acham que a maioria das mulheres que passam por isso ficam nervosas com as manifestações do bebê, não se sentem capazes de acolhê-lo e tremem quando vão amamentar, dar banho, fazer dormir, etc, etc. E mais, já pararam para pensar por que a maioria dos bebês não é tranquilo? (essa é uma longa conversa, que teremos mais pra frente)
O que estão ensinando nas faculdades de medicina? Por que os médicos mais antigos não se reciclam? Ah! É mais fácil ficar como está, aliás praticar isso gera medicalização, afasta as pessoas de suas conexões, causando dependência dos pacientes no que esses "profissionais" dizem...Além disso, também é mais fácil enrolar a gestante (como fizeram comigo) até a hora que o médico pode atender e se livrar logo de você, fazendo uma cesária...Ou mais fácil ainda, fazer tudo antes do carnaval, ou do feriado, ou do que mais o médico precisar...Mas não pensem que eles todos fazem isso "honestamente", a maioria diz a você: não pense no parto agora (na gestação...mas então quando?), você precisa passar pelo protocolo do hospital: deite-se, precisamos fazer lavagem, raspagem, esperemos o médico...eles acabam com a possibilidade biofisiológica de você ter um parto que facilite a liberação de hormônios benéficos para você e seu bebê, as contrações importantes que trazem junto a capacidade de sentir-se plena, e do bebê ser massageado por toda nossa musculatura, liberando hormônios e possibilitando que sinta-se seguro ao nascer, fortalecendo seu sistema imunológico...
"Ah, mas o que a gente pode fazer?"
Informadas, podemos dizer que não aceitamos que façam isso conosco!
"Ah, mas faltando uma semana pro nenê nascer?"
Sim, essa é a hora: a tempo de termos um atendimento verdadeiramente humano e respeitoso conosco e com nosso bebê, que vai evitar que passemos por maus bocados mais à frente! Informação e Atenção!
Não vamos deixar que as pessoas nos subestimem mais, nos desrespeitem, esse é nosso papel. Depois de termos informação, cada uma de nós, somos responsáveis por estarmos inseguras com nossos filhos, por impedirmos nossos corpos de funcionar como a biologia pede, pela intranquilidade de nossos pequenos, porque continuamos indo no médico que nos enrola, que faz (?) a maioria dos partos dele (?), que diz que devemos cuidar do enxoval, que de nós eles cuidam (???), de quem é mesmo a responsabilidade? Vamos em frente, sejamos ativas, atentas, cuidemos de nós, não vamos mais deixar a responsabilidade na mão de outros por nos cuidar, para depois nos sentirmos culpadas (??).
sábado, 26 de janeiro de 2013
Vida e a morte - o fim e o começo!
Uma semana após a morte da Bisa, meu pai internou no hospital. Inicialmente ele não queria que o Lucano fosse visitá-lo, achava o ambiente hospitalar muito pesado pra ele...porém, uma semana depois, o Lucano não aguentava mais de saudade, perguntando sempre onde estava o vovô, então, peguei-o na escola e fui ao hospital com ele. Lembro da cara do meu pai quando viu o Lucano entrando no quarto, um misto de alegria e preocupação do netinho vê-lo na cama.
O Lucano entrou com sua alegria, encheu o quarto, subia no pé da cama e chamava: "Vô!!!!!!!" e o vô Julio ria da sapequice dele. Então, passamos a ir todos os dias com o Luc visitar o vovô, às vezes deixava de ir com ele um ou dois dias, mas ele queria ver o vovô. Ele abria um livro e deitava na cama com o vô, fazia que estava dormindo com ele, abraçadinho na cama, desenhava pro vovô. Colocamos os desenhos do Lucano na parede em frente a cama do meu pai, que cada dia conseguia levantar menos.
Comecei a ler muito sobre câncer e sobre esse processo de tratamento, da importância de envolvermos a pessoa que está em tratamento em uma esfera de muito amor, familiar, de conversar com ela sobre o que está passando, de ouvi-la, de fazer com ela coisas que a façam sentir bem...Levei as coisinhas que meu pai tinha no criado mudo de casa, pro lado da cama dele, porta retrato do Lucano, os livros que meu pai estava lendo, e passei a incentivá-lo e fazer com ele as meditações que ele tinha costume de fazer. Como ele quase não deu uma palavra durante a internação, voltando-se para dentro de si, nesses momentos de meditação estivemos intimamente ligados e partilhando do mesmo ambiente de cura espiritual por que ele vinha passando. Sim, o corpo estava perdendo sua vitalidade, mas eu via claramente que meu pai engrandecia em energia de alma na mesma proporção que o corpo perdia força.
Os médicos avisaram que meu pai teria alguns dias, passamos a levar o Lucano por pequenos tempos, mas todos os dias! Meu pai estava mais distante, mas voltava de seu refúgio quando o Lucano ia. Em nenhum momento o Lucano pareceu impressionado com acessos e medicações. A gente vinha explicando a ele que o vovô estava ali tomando remédios porque estava dodói. Então, em nossas visitas, o que eu observava nele era a alegria em estar com o vovô, e o sorriso do meu pai vendo o Lu. Isso era o que mais importava!
Dia 21/11 meu pai foi entubado e fomos visitá-lo à noite. Estava toda a família lá, o Lucano entrou pela porta e não quis olhar meu pai, que estava consciente mas distante. Ele se agarrou na minha mãe e ficou de olhos fechados o tempo todo. Quando fui embora, deitei no peito do meu pai, dei um beijo e disse: "Te amo!" e ele respondeu: "Também!". "Amanhã a gente se vê!". Na manhã seguinte minha mãe ligou cedinho...
Era dia de aula, o Lucano seguiu para a escola enquanto eu e meu irmão acompanhávamos minha mãe no desenrolar das coisas. No final do dia, fomos todos para casa da minha mãe, a irmã do meu pai e minha prima vieram de São Paulo e jantamos juntos. Na sala de jantar o Lucano viu todos sentados, pediu colo pra minha mãe, olhou para todos os lados procurando e disse pra vovó: "Cadê o vovô?". Minha mãe me perguntou o que dizer, eu disse que ela falasse o que acredita, e foi então que ele passou a olhar para as estrelas todos os dias procurando o vovô.
O Lucano entrou com sua alegria, encheu o quarto, subia no pé da cama e chamava: "Vô!!!!!!!" e o vô Julio ria da sapequice dele. Então, passamos a ir todos os dias com o Luc visitar o vovô, às vezes deixava de ir com ele um ou dois dias, mas ele queria ver o vovô. Ele abria um livro e deitava na cama com o vô, fazia que estava dormindo com ele, abraçadinho na cama, desenhava pro vovô. Colocamos os desenhos do Lucano na parede em frente a cama do meu pai, que cada dia conseguia levantar menos.
Comecei a ler muito sobre câncer e sobre esse processo de tratamento, da importância de envolvermos a pessoa que está em tratamento em uma esfera de muito amor, familiar, de conversar com ela sobre o que está passando, de ouvi-la, de fazer com ela coisas que a façam sentir bem...Levei as coisinhas que meu pai tinha no criado mudo de casa, pro lado da cama dele, porta retrato do Lucano, os livros que meu pai estava lendo, e passei a incentivá-lo e fazer com ele as meditações que ele tinha costume de fazer. Como ele quase não deu uma palavra durante a internação, voltando-se para dentro de si, nesses momentos de meditação estivemos intimamente ligados e partilhando do mesmo ambiente de cura espiritual por que ele vinha passando. Sim, o corpo estava perdendo sua vitalidade, mas eu via claramente que meu pai engrandecia em energia de alma na mesma proporção que o corpo perdia força.
Os médicos avisaram que meu pai teria alguns dias, passamos a levar o Lucano por pequenos tempos, mas todos os dias! Meu pai estava mais distante, mas voltava de seu refúgio quando o Lucano ia. Em nenhum momento o Lucano pareceu impressionado com acessos e medicações. A gente vinha explicando a ele que o vovô estava ali tomando remédios porque estava dodói. Então, em nossas visitas, o que eu observava nele era a alegria em estar com o vovô, e o sorriso do meu pai vendo o Lu. Isso era o que mais importava!
Dia 21/11 meu pai foi entubado e fomos visitá-lo à noite. Estava toda a família lá, o Lucano entrou pela porta e não quis olhar meu pai, que estava consciente mas distante. Ele se agarrou na minha mãe e ficou de olhos fechados o tempo todo. Quando fui embora, deitei no peito do meu pai, dei um beijo e disse: "Te amo!" e ele respondeu: "Também!". "Amanhã a gente se vê!". Na manhã seguinte minha mãe ligou cedinho...
Era dia de aula, o Lucano seguiu para a escola enquanto eu e meu irmão acompanhávamos minha mãe no desenrolar das coisas. No final do dia, fomos todos para casa da minha mãe, a irmã do meu pai e minha prima vieram de São Paulo e jantamos juntos. Na sala de jantar o Lucano viu todos sentados, pediu colo pra minha mãe, olhou para todos os lados procurando e disse pra vovó: "Cadê o vovô?". Minha mãe me perguntou o que dizer, eu disse que ela falasse o que acredita, e foi então que ele passou a olhar para as estrelas todos os dias procurando o vovô.
sexta-feira, 25 de janeiro de 2013
Vida e a morte: uma criança e os processos do morrer
Não se preocupem, não fiquei mórbida, falo da morte agora pra falar da vida, na sua plenitude!
...e a gente explicava pro Lucano: "O vovô tá dodói, brinca com ele no sofá" e lá ia ele, saltitante, se aconchegar no colo do vovô. Em poucos minutos ele já saía do sofá e chamava o vovô para fora...Mas o vovô doía...
Lucano, seu vovô sempre leu muito, muito mesmo, livros de histórias, de lugares, de culinária, lia livros ao mesmo tempo, vários, e a cada semana comprava mais um. Sempre interessado em aprender, em saber mais. Meu pai sempre foi um cara distinto, educadíssimo, refinado, culto. Ele sabia sobre tudo! E o que ele não sabia, ouvia atento dos outros! Eu via nele olhos curiosos, um sonhador! Eu sabia que ele tinha uma alma louca para viver viajando por aí...por isso ele lia tanto, por tantos lugares ele passou, navegando em letras de todas as culturas! Seu padrão inconsciente, que precisava provar pro próprio pai (que ele mesmo criou) que era alguém responsável, sempre calou mais forte!
Por se cobrar ser sempre melhor, sentia-se sempre culpado. Ele corria muito, não se permitia relaxar, íamos ao shopping, mas quase saíamos correndo pra voltar: ele precisava voltar pra onde sentia-se seguro, trabalhando! Quando o Lucano nasceu, ele passou a se permitir sair mais cedo do trabalho, ficava um pouco conosco e logo voltava. Tinha uma inquietação, uma pressa, uma cobrança interna. Mas aprendi com ele, nesses tropeços, que não temos garantia de nada, controle de nada (nem das próprias células), que a vida é toda impermanente e a única forma de manter a tranquilidade é reforçando nosso interior!
Dos livros que lemos juntos nesse mês, caimos no capítulo sobre o câncer...ele "não entendeu", achou denso, pediu que eu lesse e conversamos depois sobre...Como eu gostava de conversar com ele sobre as coisas, qualquer coisa, a gente conversava e era muito bom!! O câncer é a manifestação física do "destruir-se por dentro" ou "consumir-se", de repente as células, por algum motivo (que une estresse, genética, efeitos biológicos de hábitos alimentares, emocionais e físicos) não reconhecem as demais células como sendo suas irmãs e começam a atacá-las, multiplicando-se desenfreadamente e prejudicando o bom funcionamento do organismo que habitam...É claro que é difícil admitir que criamos isso, que todos nossos sistemas de crenças e escolhas nos levaram a isso!
Meu pai passou a ficar muito tempo no sofá, sentado sobre sua vida toda, não trabalhava mais...Lucano sentava ao lado dele e dizia: "O vovô tá só um pouquinho dodói?" É filho, foi só um pouquinho de tempo que ele ficou só um pouquinho dodói...Logo ele passou a ficar muito dodói, ficava muito tempo na cama. Lucano saracoteando pela sala, puxando de mim uma vida que eu via enfraquecer do meu lado! Nasci no mesmo dia e mês que meu pai, enquanto ele passava pelo processo de destruição e reconstrução interna, eu via meu parceiro de vida se aprofundando em si, na vida, na morte. E meu parceirinho Lucano, mostrava que a vida pulsa, que o riso vem da simplicidade, que eu precisava parar e estar com ele, ao mesmo tempo em que meu pai parou pra ficar consigo!
Começamos as sessões de radioterapia (sim, começamos, pois o câncer é da família inteira!). Cada vez mais dores. Um mês depois dessa descoberta, minha avó materna morre! Lucano não a via nos últimos tempos, ela estava há dois meses internada e ele não podia entrar no hospital...Então, quando eu chorei a morte da Bisa, ele disse:
"Não chora, mamãe!"
E como se soubesse, engatou: "Cadê a Bisa?".
Lucano, a bisa morreu...
Vi em seus olhos um ponto de interrogação.
... assim como o dia acaba e vem a noite e depois acaba e vem o dia, como a plantinha morre, ela morreu... Fico tentando imaginar como soou isso pra ele, mas não acredito que a gente vai pro céu, e precisava ser honesta com ele dentro da minha concepção de morte, contar que os seres morrem, que a gente chora de saudade, e que a vida segue...Ele tem lidado bem com isso (da Bisa).
quinta-feira, 24 de janeiro de 2013
Entre a Vida e a Morte...
Desde a última postagem, um mundo de coisas aconteceu por dentro e por fora de nós...
Logo depois do evento da Laura Gutman, no dia 15 de setembro, meu pai descobriu um tumor (no pulmão, que fez metástase nos ossos e depois seguiu...).Não, não tem nada de errado com a edição deste texto...um espaço em branco acontece dentro da gente depois dessa notícia...os sentimentos se embaralham todos: contato com a morte, com as forças e fraquezas humanas nossas e dos outros, com nossa fé (ou falta dela)...vamos tentando juntar os cacos das coisas todas: o que fizemos, o que não fizemos, o que ainda queremos fazer, as verdades e as mentiras da vida, nossas escolhas todas. Dá muita vontade de chorar, e também muita vontade de viver, de tocar em frente e de "fazer tudo direitinho pra ter um resultado legal".
Primeiro vem a negação. Meu pai ouviu o diagnóstico e assentiu com a cabeça....Nós quatro lá, juntos, ouvindo a sentença: "Aqueles pontinhos no pulmão são um tumor, vamos investigar sua natureza para decidir sobre o tratamento...Também vamos ver essas dores nos ossos, para ver se há relação...Uma psicóloga da instituição pode ajudá-los..."
Silêncio! A gente olha pro pai, sentado na poltrona do hospital, com suas dores dilacerantes, querendo desvendar o que se passa através do seu olhar... e meu pai solta, no final da conversa: "Tratamento? Mas é um câncer?". Meu pai é o grande provedor da família toda, trabalhou a vida inteira para ver-nos com tudo que precisávamos (ou o que ele achava que precisávamos), garantidos de saúde, educação e valores. E para além disso tudo, é uma presença silenciosa e tímida, mas forte, corajosa, cheia de decisão, que mantinha o leme (moral, emocional, financeiro, estrutural) da nossa família e que sempre esteve disposto a aprender com os percalços da vida, conosco e nossas adolescências, a ultrapassar seus limites e ir em frente!
Mas porque estou escrevendo tudo isso, num blog sobre maternidade? Porque no meio disso tudo, tem o Lucano: serelepe, cheio de vida, agarrado no meu pai, perguntando sobre as coisas e vivendo-as conosco, na mesma intensidade do alto de seus dois anos de vivacidade!
Foram 5 dias de internação, um batalhão de exames e remédios para conter uma dor que só aumentava! Meu pai ansioso para sair do hospital, querendo se agarrar na vida, usando da sua racionalidade para mudar tudo o que precisava ser mudado desde o começo de tudo...Comprou uma pilha de livros e ganhou um outro (que segue hoje na minha cabeceira): "Câncer tem Cura" do Frei Romano Zago. Diligentemente, como sempre foi, passou a tomar o elixir de babosa, ligou pro Frei e, conversando com ele, reavivou sua fé. Foi na nutricionista e mudou radicalmente sua alimentação no mesmo dia, passou a comprar alimentos orgânicos e já não tinha mais vontade de cozinhar...
...Justo ele, nosso CHEF internacional, que nos proporcionou os mais saborosos almoços e jantas de toda nossa vida, que avisava sobre a proximidade da refeição com seus aromas inigualáveis pela casa, enquanto preparava-os. Que se alegrava intensamente de ouvir-nos dizer: "Que delícia!!!!!!!" E que até esperava por essa recompensa, depois das primeiras garfadas! Essa era uma de suas mais simples e verdadeiras felicidades: alimentar nossa alma, nossos sentidos, e ver nos olhos de quem provava seus banquetes, a delícia de viver seu paladar!
Se antes meditava todo final de tarde e participava de estudos espíritas, passou a meditar a maior parte do tempo: quando não era meditação formal, eu via nele uma postura (interna) meditativa...O que será que se passava no seu interior? Silêncio. Era o tempo dele, de se recompor, de se reencontrar, de decidir por ele, sem pensar nos outros...
...E o Lucano querendo que ele viesse na carona de seu carro! Mas o vovô não podia mais sentar no carrinho do Lucano, sentia dores terríveis nos quadris! Então ele sentava no sofá quando o Lucano queria o colo do vovô...Assim, o peso leve do Lucano não doía mais no osso e no coração! Significativo: A expressão "dói no osso" encaixa perfeitamente nesse quebra cabeça. O câncer dói. Dói no osso, literalmente e figurativamente. Ele dói na vida!
Seguirei contando a conta gotas, porque Lucano precisa de mim agora, e porque seguimos- eu, ele, e toda a família- elaborando juntos, no pulsar da vida do Lucano (e da nossa)!
sexta-feira, 19 de outubro de 2012
A Massificação do Parto e a luz no fim do túnel
Seguindo as indicações do livro "Amor o dominación: los estragos del patriarcado", de Laura Gutman, destaco esse trecho em que identifiquei cada uma das ações que sofri ao chegar em um "dos melhores hospitais de Porto Alegre", depois de ter minha bolsa rota e estar sem trabalho de parto. Com a "desculpa" de ser o procedimento padrão, ao qual ninguém contesta porque é padrão, fui sendo submetida a todas as coisas que hoje sei, por mais estudo, mais informação e necessidade em me acercar de meu íntimo, minha força, entender meus choros e falta de saber o que fazer. Uma necessidade de me empoderar como mulher e mãe, coisa que poderia ter feito se tivesse aberto meus olhos na gestação sobre o que realmente precisamos (nos) preparar para a chegada de nossos bebês.
Parafraseando Laura, desde o parto do meu filho se passaram 2 anos e 4 meses. A cicatriz da cesária ainda deixa minha barriga anestesiada ao toque. Meu filho é um menino extraordinário. Também sei que nesse dia tomei a decisão de trabalhar para que situações como essa (uma cesária desnecessária), não aconteçam nunca, jamais, a nenhuma outra mulher no mundo. E é por isso que estou trabalhando pela UMA (Universidade Materna).
Então, fiquem com o trecho que fez meu marido também repensar onde faremos nosso segundo parto, quando chegar uma nova gestação:
"Quando ficamos grávidas e começamos a entender de que se trata tudo isso, nos encontramos facilmente com as propostas convencionais: visitar ao médico.Nos submetemos às rotinas de controles e análises clínicos. As famosas ecografias, cada vez mais banais, que nos permitem espiar a vida intrauterina de nossos bebês, como se fosse um filme- já que o mundo corre velozmente para os formatos audiovisuais- e a preparação para um parto em um estabelecimento médico. Até aí, quase nada se altera. Tudo parece normal. Entretanto..., é como uma estrada com pedágio, como todas as estradas do mundo...por onde vamos aferradas ao voltante que nos conduz a todos a um mesmo lugar...convencional e patriarcal. Materialista. Funcional.Cortadas da conexão espiritual. Fora de nós mesmas. Com a garantia de que ninguém colocará em dúvida nossa cegueira, nem nosso congelamento perfeito para seguir na lógica do patriarcado.
Não chama a atenção que uma mulher que fez amor com um homem e que jorra sexo, amor, fluidos e gemidos, tenha que se submeter a toda uma assepsia de consultório médico que nada tem a ver com "isso" que está gestando? Acaso não é um desastre ecológico que nós mulheres entreguemos nossos corpos, nossos partos e nosso amora pessoas que têm muito medo das pulsões vitais e de quem não sabemos absolutamente nada, nem elas sabem de nós? Não é espantoso? Não é evidente que, afastadas de nosso ritmo feminino intrínseco, nos venha fenomenal qualquer pensamento externo a nós e acreditarmos em qualquer coisa para nos conectar com nosso ser essencial?
Se estamos dentro da estrada, é obvio que não podemos vislumbrar quase nenhuma paisagem. Só estancando a marcha, poderemos nos dar conta de que uma grávida saudável não deveria estar em um consultório médico, esperando sua consulta durante horas para perguntar a um desconhecido como está ela mesma! Não tería de estar submetida a medos. Não teria de chegar ignorante de si mesma a seu próprio parto. Não teria de sair de sua casa para ir a nenhum lugar para parir. Não teria de ser obrigada a tirar a roupa ou a não comer, nem a ser espetada, nem teria de receber oxitocina sintética, nem que outras pessoas determinassem quando o bebê deveria nascer, nem quanto tempo deveria durar o parto. Muito menos ninguém teria de presenciar ao parto. Que história é essa de "presenciar"? Por acaso alguém presencia quando fazemos amor? Se não estivessemos congeladas, não aceitaríamos toques vaginais realizados por pessoas que não conhecemos e a quem não tenhamos permitido, nem ofereceríamos alegremente nossos braços para serem espetados sem perguntar ao menos o que estão injetando. Além disso, tampouco consideraríamos que a cesária é a melhor forma de nascer, nem desejaríamos que alguém nos cortasse com um bisturi para irmos depressa para casa. Tudo isso acontece porque massivamente transitamos pelas estradas, e quando olhamos em volta, constatamos que todos seguem pelo mesmo caminho. Então concluimos que não existem alternativas.
Que massivamente as mulheres atravessemos nossos partos desconectadas de nossas emoções e congeladas-inclusive literalmente anestesiadas- é o início da desconexão da criança que nasce. Por que se não somos parte da cena e se não colocamos nossa humanidade em jogo, o recém nascido perceberá o ninho vazio. Desse modo continuará girando a roda do desespero e da ira, logo, a necessidade de dominar ou de ser dominado. O que mais me chama a atenção é que pouquíssimas pessoas percebem isso. Entretanto, observar as salas de parto é como observar a planificação de nossas vidas dentro do formato patriarcal. Dessa forma, Michel Odent afirma que a humanidade mudará quando mudarmos as salas de parto. Quando participarmos das cenas de nascimento, com a força arrasadoras de nossas pulsões vitais, nosso amor e nossa liberdade.!"
Afe Maria! Se eu tivesse o mesmo dom de Laura Gutman, teria escrito isso! Fecho o livro e ouço palmas, as cortinas se fecham e o público segue aplaudindo!
Espero, com todas minhas forças, ajudar as futuras mães a terem coragem de se colocarem, de protagonizarem esse rito tão importante que é o nascimento!
O Parto e a ajuda necessária!
Devorei em dois dias o novo livro da Laura Gutman "Amor o Dominación: Los estragos del Patriarcado". Ele é contundente, realista, verdadeiro, profundo, pra quem tem coragem de se olhar sem desculpas!
Chorei em algumas partes e lia em voz alta com meu marido, outras tantas! A cada página virada, eu só dizia: "Caraaaaacaaaa! É isso!" Ela escreve como se estivesse conversando conosco, nua e crua, sem rodeios, o que precisa ser dito em uma conversa de adultos, lembrando sempre que a maioria das vezes, quem reage é nossa criança interior!
Destaco dois trechos, que para mim foram emocionalmente importantes:
Chorei em algumas partes e lia em voz alta com meu marido, outras tantas! A cada página virada, eu só dizia: "Caraaaaacaaaa! É isso!" Ela escreve como se estivesse conversando conosco, nua e crua, sem rodeios, o que precisa ser dito em uma conversa de adultos, lembrando sempre que a maioria das vezes, quem reage é nossa criança interior!
Destaco dois trechos, que para mim foram emocionalmente importantes:
"A anestesia em que vivemos a maioria das mulheres desde nossa mais tenra infância, produz que, massivamente, rejeitemos qualquer proposta que convide a conectar com o ser interior e com o genuíno poder feminino ligado a vibração espontânea do corpo. Por isso não se trata de "lutar" a favor do parto natural. Sim, vale a pena informar! Entretanto, hoje em dia, em que temos acesso a todo tipo de informação somente com um clic, isso não basta para que uma mulher, com o corpo congelado e afastada de seu mundo emocional, encontre alguma vantagem em parir conectada com a sua dor.
Tenho sido testemunha de cenas nas quais uma mulher, exultante com sua experiência de parto em casa em total sintonia com o Universo, tenta relatar as vantagens dessa decisão, esperando assim convencer a outra mulher grávida de que faça algo que para ela fi tão genuíno, revelador e extraordinário. O resultado é que não funciona. Isso não interessa em nada a grávida que a escuta. E quanto mais insiste a parturiente envolta em seu próprio êxtase de felicidade, mais a grávida se agarra a seu médico convencional, que lhe assegura continuar sua vida dentro dos mesmos parâmetros que vivia antes de engravidar.
Assim, se somos uma mulher "normal" convencional, tendo sobrevivido a uma infância como todo mundo, nem a pior nem a melhor, vamos querer atravessar o parto como passamos nossa vida: resolvendo-o dentro de parâmetros conhecidos. E anestesiada, se temos de pagar custos corporais e emocionais, justamente porque estamos separadas a respeito de nosso corpo e de nosso território emocional."
Ela segue dizendo que é importante que nos preparemos emocionalmente e façamos um mergulho em nossa história e posicionamentos de vida para conseguirmos nos libertar de tudo o que é "comum" e que no fundo não condiz com nossa essência e nossos mais profundos desejos, mas que seguimos fazendo tal qual nos foi colocado culturalmente, porque é mais "seguro" fazer o que todo mundo faz e diz, porque não precisamos nos colocar (ninguém duvidará) e, consequentemente, não precisaremos nos responsabilizar pelas coisas. Demais!
Se queremos fazer algo por essas mulheres (muitas são nossas amigas, família, ou só porque são mulheres e merecem respeito) que ainda acreditam nesses cesaristas inescrupulosos, precisamos ajudá-las a ter contato com seus sentimentos mais escondidos, suas emoções e sua força, ter consciência de seus corpos, medos e fantasias. Isso porque depois de termos filhos, seremos cobradas de alguma forma a estarmos conectadas, então que seja uma preparação para ANTES de tê-los e estarmos mergulhadas até o pescoço e não conseguirmos o distanciamento necessário para responder seguras e harmoniosas.
Outra parte que me tocou intensamente, justamente porque caí nessa lábia de cesarista e depois fui me dando conta, momento a momento, cada ação desnecessária e cada desrespeito "velado" atrás de uma conduta ou um serviço "de melhor qualidade" na cidade. O subtítulo é "A massificação dos partos: outra estrada por onde transitamos todos". Vejam no próximo post.
Assinar:
Postagens (Atom)