sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Vida e a morte: uma criança e os processos do morrer

Não se preocupem, não fiquei mórbida, falo da morte agora pra falar da vida, na sua plenitude!

...e a gente explicava pro Lucano: "O vovô tá dodói, brinca com ele no sofá" e lá ia ele, saltitante, se aconchegar no colo do vovô. Em poucos minutos ele já saía do sofá e chamava o vovô para fora...Mas o vovô doía...

Lucano, seu vovô sempre leu muito, muito mesmo, livros de histórias, de lugares, de culinária, lia livros ao mesmo tempo, vários, e a cada semana comprava mais um. Sempre interessado em aprender, em saber mais. Meu pai sempre foi um cara distinto, educadíssimo, refinado, culto. Ele sabia sobre tudo! E o que ele não sabia, ouvia atento dos outros! Eu via nele olhos curiosos, um sonhador! Eu sabia que ele tinha uma alma louca para viver viajando por aí...por isso ele lia tanto, por tantos lugares ele passou, navegando em letras de todas as culturas! Seu padrão inconsciente, que precisava provar pro próprio pai (que ele mesmo criou) que era alguém responsável, sempre calou mais forte!

Por se cobrar ser sempre melhor, sentia-se sempre culpado. Ele corria muito, não se permitia relaxar, íamos ao shopping, mas quase saíamos correndo pra voltar: ele precisava voltar pra onde sentia-se seguro, trabalhando! Quando o Lucano nasceu, ele passou a se permitir sair mais cedo do trabalho, ficava um pouco conosco e logo voltava. Tinha uma inquietação, uma pressa, uma cobrança interna. Mas aprendi com ele, nesses tropeços, que não temos garantia de nada, controle de nada (nem das próprias células), que a vida é toda impermanente e a única forma de manter a tranquilidade é reforçando nosso interior!

Dos livros que lemos juntos nesse mês, caimos no capítulo sobre o câncer...ele "não entendeu", achou denso, pediu que eu lesse e conversamos depois sobre...Como eu gostava de conversar com ele sobre as coisas, qualquer coisa, a gente conversava e era muito bom!! O câncer é a manifestação física do "destruir-se por dentro" ou "consumir-se", de repente as células, por algum motivo (que une estresse, genética, efeitos biológicos de hábitos alimentares, emocionais e  físicos) não reconhecem as demais células como sendo suas irmãs e começam a atacá-las, multiplicando-se desenfreadamente e prejudicando o bom funcionamento do organismo que habitam...É claro que é difícil admitir que criamos isso, que todos nossos sistemas de crenças e escolhas nos levaram a isso!

Meu pai passou a ficar muito tempo no sofá, sentado sobre sua vida toda, não trabalhava mais...Lucano sentava ao lado dele e dizia: "O vovô tá só um pouquinho dodói?" É filho, foi só um pouquinho de tempo que ele ficou só um pouquinho dodói...Logo ele passou a ficar muito dodói, ficava muito tempo na cama. Lucano saracoteando pela sala, puxando de mim uma vida que eu via enfraquecer do meu lado! Nasci no mesmo dia e  mês que meu pai, enquanto ele passava pelo processo de destruição e reconstrução interna, eu via meu parceiro de vida se aprofundando em si, na vida, na morte. E meu parceirinho Lucano, mostrava que a vida pulsa, que o riso vem da simplicidade, que eu precisava parar e estar com ele, ao mesmo tempo em que meu pai parou pra ficar consigo!

Começamos as sessões de radioterapia (sim, começamos, pois o câncer é da família inteira!). Cada vez mais dores. Um mês depois dessa descoberta, minha avó materna morre! Lucano não a via nos últimos tempos, ela estava há dois meses internada e ele não podia entrar no hospital...Então, quando eu chorei a morte da Bisa, ele disse:

"Não chora, mamãe!"
E como se soubesse, engatou: "Cadê a Bisa?".

Lucano, a bisa morreu...
Vi em seus olhos um ponto de interrogação.



... assim como o dia acaba e vem a noite e depois acaba e vem o dia, como a plantinha morre, ela morreu... Fico tentando imaginar como soou isso pra ele, mas não acredito que a gente vai pro céu, e precisava ser honesta com ele dentro da minha concepção de morte, contar que os seres morrem, que a gente chora de saudade, e que a vida segue...Ele tem lidado bem com isso (da Bisa).

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Entre a Vida e a Morte...

Desde a última postagem, um mundo de coisas aconteceu por dentro e por fora de nós...

Logo depois do evento da Laura Gutman, no dia 15 de setembro, meu pai descobriu um tumor (no pulmão, que fez metástase nos ossos e depois seguiu...).











Não, não tem nada de errado com a edição deste texto...um espaço em branco acontece dentro da gente depois dessa notícia...os sentimentos se embaralham todos: contato com a morte, com as forças e fraquezas humanas nossas e dos outros, com nossa fé (ou falta dela)...vamos tentando juntar os cacos das coisas todas: o que fizemos, o que não fizemos, o que ainda queremos fazer, as verdades e as mentiras da vida, nossas escolhas todas. Dá muita vontade de chorar, e também muita vontade de viver, de tocar em frente e de "fazer tudo direitinho pra ter um resultado legal".

Primeiro vem a negação. Meu pai ouviu o diagnóstico e assentiu com a cabeça....Nós quatro lá, juntos, ouvindo a sentença: "Aqueles pontinhos no pulmão são um tumor, vamos investigar sua natureza para decidir sobre o tratamento...Também vamos ver essas dores nos ossos, para ver se há relação...Uma psicóloga da instituição pode ajudá-los..." 








Silêncio! A gente olha pro pai, sentado na poltrona do hospital, com suas dores dilacerantes, querendo desvendar o que se passa através do seu olhar... e meu pai solta, no final da conversa: "Tratamento? Mas é um câncer?". Meu pai é o grande provedor da família toda, trabalhou a vida inteira para ver-nos com tudo que precisávamos (ou o que ele achava que precisávamos), garantidos de saúde, educação e valores. E para além disso tudo, é uma presença silenciosa e tímida, mas forte, corajosa, cheia de decisão, que mantinha o leme (moral, emocional, financeiro, estrutural) da nossa família e que sempre esteve disposto a aprender com os percalços da vida, conosco e nossas adolescências, a ultrapassar seus limites e ir em frente!

Mas porque estou escrevendo tudo isso, num blog sobre maternidade? Porque no meio disso tudo, tem o Lucano: serelepe, cheio de vida, agarrado no meu pai, perguntando sobre as coisas e vivendo-as conosco, na mesma intensidade do alto de seus dois anos de vivacidade!

Foram 5 dias de internação, um batalhão de exames e remédios para conter uma dor que só aumentava! Meu pai ansioso para sair do hospital, querendo se agarrar na vida, usando da sua racionalidade para mudar tudo o que precisava ser mudado desde o começo de tudo...Comprou uma pilha de livros e ganhou um outro (que segue hoje na minha cabeceira): "Câncer tem Cura" do Frei Romano Zago. Diligentemente, como sempre foi, passou a tomar o elixir de babosa, ligou pro Frei e, conversando com ele, reavivou sua fé. Foi na nutricionista e mudou radicalmente sua alimentação no mesmo dia, passou a comprar alimentos orgânicos e já não tinha mais vontade de cozinhar...

...Justo ele, nosso CHEF internacional, que nos proporcionou os mais saborosos almoços e jantas de toda nossa vida, que avisava sobre a proximidade da refeição com seus aromas inigualáveis pela casa, enquanto preparava-os. Que se alegrava intensamente de ouvir-nos dizer: "Que delícia!!!!!!!" E que até esperava por essa recompensa, depois das primeiras garfadas! Essa era uma de suas mais simples e verdadeiras felicidades: alimentar nossa alma, nossos sentidos, e ver nos olhos de quem provava seus banquetes, a delícia de viver seu paladar!

Se antes meditava todo final de tarde e participava de estudos espíritas, passou a meditar a maior parte do tempo: quando não era meditação formal, eu via nele uma postura (interna) meditativa...O que será que se passava no seu interior? Silêncio. Era o tempo dele, de se recompor, de se reencontrar, de decidir por ele, sem pensar nos outros...

...E o Lucano querendo que ele viesse na carona de seu carro! Mas o vovô não podia mais sentar no carrinho do Lucano, sentia dores terríveis nos quadris! Então ele sentava no sofá quando o Lucano queria o colo do vovô...Assim, o peso leve do Lucano não doía mais no osso e no coração! Significativo: A expressão "dói no osso" encaixa perfeitamente nesse quebra cabeça. O câncer dói. Dói no osso, literalmente e figurativamente. Ele dói na vida!

Seguirei contando a conta gotas, porque Lucano precisa de mim agora, e porque seguimos- eu, ele, e toda a família- elaborando juntos, no pulsar da vida do Lucano (e da nossa)!




sexta-feira, 19 de outubro de 2012

A Massificação do Parto e a luz no fim do túnel

Seguindo as indicações do livro "Amor o dominación: los estragos del patriarcado", de Laura Gutman, destaco esse trecho em que identifiquei cada uma das ações que sofri ao chegar em um "dos melhores hospitais de Porto Alegre", depois de ter minha bolsa rota e estar sem trabalho de parto. Com a "desculpa" de ser o procedimento padrão, ao qual ninguém contesta porque é padrão, fui sendo submetida a todas as coisas que hoje sei, por mais estudo, mais informação e necessidade em me acercar de meu íntimo, minha força, entender meus choros e falta de saber o que fazer. Uma necessidade de me empoderar como mulher e mãe, coisa que poderia ter feito se tivesse aberto meus olhos na gestação sobre o que realmente precisamos (nos) preparar para a chegada de nossos bebês. 

Parafraseando Laura, desde o parto do meu filho se passaram 2 anos e 4 meses. A cicatriz da cesária ainda deixa minha barriga anestesiada ao toque. Meu filho é um menino extraordinário. Também sei que nesse dia tomei a decisão de trabalhar para que situações como essa (uma cesária desnecessária), não aconteçam nunca, jamais, a nenhuma outra mulher no mundo. E é por isso que estou trabalhando pela UMA (Universidade Materna).

Então, fiquem com o trecho que fez meu marido também repensar onde faremos nosso segundo parto, quando chegar uma nova gestação:

"Quando ficamos grávidas e começamos a entender de que se trata tudo isso, nos encontramos facilmente com as propostas convencionais: visitar ao médico.Nos submetemos às rotinas de controles e análises clínicos. As famosas ecografias, cada vez mais banais, que nos permitem espiar a vida intrauterina de nossos bebês, como se fosse um filme-  já que o mundo corre velozmente para os formatos audiovisuais- e a preparação para um parto em um estabelecimento médico. Até aí, quase nada se altera. Tudo parece normal. Entretanto..., é como uma estrada com pedágio, como todas as estradas do mundo...por onde vamos aferradas ao voltante que nos conduz a todos a um mesmo lugar...convencional e patriarcal. Materialista. Funcional.Cortadas da conexão espiritual. Fora de nós mesmas. Com a garantia de que ninguém colocará em dúvida nossa cegueira, nem nosso congelamento perfeito para seguir na lógica do patriarcado.
Não chama a atenção que uma mulher que fez amor com um homem e que jorra sexo, amor, fluidos e gemidos, tenha que se submeter a toda uma assepsia de consultório médico que nada tem a ver com "isso" que está gestando? Acaso não é um desastre ecológico que nós mulheres entreguemos nossos corpos, nossos partos e nosso amora pessoas que têm muito medo das pulsões vitais e de quem não sabemos absolutamente nada, nem elas sabem de nós? Não é espantoso? Não é evidente que, afastadas de nosso ritmo feminino intrínseco, nos venha fenomenal qualquer pensamento externo a nós e acreditarmos em qualquer coisa para nos conectar com nosso ser essencial?
Se estamos dentro da estrada, é obvio que não podemos vislumbrar quase nenhuma paisagem. Só estancando a marcha, poderemos nos dar conta de que uma grávida saudável não deveria estar em um consultório médico, esperando sua consulta durante horas para perguntar a um desconhecido como está ela mesma! Não tería de estar submetida a medos. Não teria de chegar ignorante de si mesma a seu próprio parto. Não teria de sair de sua casa para ir a nenhum lugar para parir. Não teria de ser obrigada a tirar a roupa ou a não comer, nem a ser espetada, nem teria de receber oxitocina sintética, nem que outras pessoas determinassem quando o bebê deveria nascer, nem quanto tempo deveria durar o parto. Muito menos ninguém teria de presenciar ao parto. Que história é essa de "presenciar"? Por acaso alguém presencia quando fazemos amor? Se não estivessemos congeladas, não aceitaríamos toques vaginais realizados por pessoas que não conhecemos e a quem não tenhamos permitido, nem ofereceríamos alegremente nossos braços para serem espetados sem perguntar ao menos o que estão injetando. Além disso, tampouco consideraríamos que a cesária é a melhor forma de nascer, nem desejaríamos que alguém nos cortasse com um bisturi para irmos depressa para casa. Tudo isso acontece porque massivamente transitamos pelas estradas, e quando olhamos em volta, constatamos que todos seguem pelo mesmo caminho. Então concluimos que não existem alternativas.
Que massivamente as mulheres atravessemos nossos partos desconectadas de nossas emoções e congeladas-inclusive literalmente anestesiadas- é o início da desconexão da criança que nasce. Por que se não somos parte da cena e se não colocamos nossa humanidade em jogo, o recém nascido perceberá o ninho vazio. Desse modo continuará girando a roda do desespero e da ira, logo, a necessidade de dominar ou de ser dominado. O que mais me chama a atenção é que pouquíssimas pessoas percebem isso.  Entretanto, observar as salas de parto é como observar a planificação de nossas vidas dentro do formato patriarcal. Dessa forma, Michel Odent afirma que a humanidade mudará quando mudarmos as salas de parto. Quando participarmos das cenas de nascimento, com a força arrasadoras de nossas pulsões vitais, nosso amor e nossa liberdade.!"
Afe Maria! Se eu tivesse o mesmo dom de Laura Gutman, teria escrito isso! Fecho o livro e ouço palmas, as cortinas se fecham e o público segue aplaudindo!

Espero, com todas minhas forças, ajudar as futuras mães a terem coragem de se colocarem, de protagonizarem esse rito tão importante que é o nascimento!

O Parto e a ajuda necessária!

Devorei em dois dias o novo livro da Laura Gutman "Amor o Dominación: Los estragos del Patriarcado". Ele é contundente, realista, verdadeiro, profundo, pra quem tem coragem de se olhar sem desculpas!

Chorei em algumas partes e lia em voz alta com meu marido, outras tantas! A cada página virada, eu só dizia: "Caraaaaacaaaa! É isso!" Ela escreve como se estivesse conversando conosco, nua e crua, sem rodeios, o que precisa ser dito em uma conversa de adultos, lembrando sempre que a maioria das vezes, quem reage é nossa criança interior!

Destaco dois trechos, que para mim foram emocionalmente importantes:
"A anestesia em que vivemos a maioria das mulheres desde nossa mais tenra infância, produz que, massivamente, rejeitemos qualquer proposta que convide a conectar com o ser interior e com o genuíno poder feminino ligado a vibração espontânea do corpo. Por isso não se trata de "lutar" a favor do parto natural. Sim, vale a pena informar! Entretanto, hoje em dia, em que temos acesso a todo tipo de informação somente com um clic, isso não basta para que uma mulher, com o corpo congelado e afastada de seu mundo emocional, encontre alguma vantagem em parir conectada com a sua dor.
Tenho sido testemunha de cenas nas quais uma mulher, exultante com sua experiência de parto em casa em total sintonia com o Universo, tenta relatar as vantagens dessa decisão, esperando assim convencer a outra mulher grávida de que faça algo que para ela fi tão genuíno, revelador e extraordinário. O resultado é que não funciona. Isso não interessa em nada a grávida que a escuta. E quanto mais insiste a parturiente envolta em seu próprio êxtase de felicidade, mais a grávida se agarra a seu médico convencional, que lhe assegura continuar sua vida dentro dos mesmos parâmetros que vivia antes de engravidar.
Assim, se somos uma mulher "normal" convencional, tendo sobrevivido a uma infância como todo mundo, nem a pior nem a melhor, vamos querer atravessar o parto como passamos nossa vida: resolvendo-o dentro de parâmetros conhecidos. E anestesiada, se temos de pagar custos corporais e emocionais, justamente porque estamos separadas a respeito de nosso corpo e de nosso território emocional."

Ela segue dizendo que é importante que nos preparemos emocionalmente e façamos um mergulho em nossa história e posicionamentos de vida para conseguirmos nos libertar de tudo o que é "comum" e que no fundo não condiz com nossa essência e nossos mais profundos desejos, mas que seguimos fazendo tal qual nos foi colocado culturalmente, porque é mais "seguro" fazer o que todo mundo faz e diz, porque não precisamos nos colocar (ninguém duvidará) e, consequentemente, não precisaremos nos responsabilizar pelas coisas. Demais! 
Se queremos fazer algo por essas mulheres (muitas são nossas amigas, família, ou só porque são mulheres e merecem respeito) que ainda acreditam nesses cesaristas inescrupulosos, precisamos ajudá-las a ter contato com seus sentimentos mais escondidos, suas emoções e sua força, ter consciência de seus corpos, medos e fantasias. Isso porque depois de termos filhos, seremos cobradas de alguma forma a estarmos conectadas, então que seja uma preparação para ANTES de tê-los e estarmos mergulhadas até o pescoço e não conseguirmos o distanciamento necessário para responder seguras e harmoniosas.

Outra parte que me tocou intensamente, justamente porque caí nessa lábia de cesarista e depois fui me dando conta, momento a momento, cada ação desnecessária e cada desrespeito "velado" atrás de uma conduta ou um serviço "de melhor qualidade" na cidade. O subtítulo é "A massificação dos partos: outra estrada por onde transitamos todos". Vejam no próximo post.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Dia das crianças divertido!!

Minha proposta para o dia das crianças, considerando que é um feriado de sexta-feira e que teremos nossos filhos inteirinhos para nós: Vamos todos brincar com eles, lembrar das nossas brincadeiras de crianças e aproveitar nossas habilidades para construir brinquedos juntos?

No meu trabalho tenho lembrado da importância de sentarmos com as crianças, de brincarmos com elas, estando inteiros, presentes, de lembrarmos como éramos crianças e que ser alegre é tão simples perto delas. Elas precisam de muito pouco para entender que a felicidade vem de dentro. No fundo, no fundo, por mais que a sociedade chame a atenção para comprarmos brinquedos que enchem nossos olhos, o que eles REALMENTE precisam é que estejamos de corpo e alma com eles, olhando para eles, sentados no chão brincando e dando a eles o nosso tempo.

Na escola e na clínica tenho visto o quanto isso tudo faz toda a diferença na educação, no desenvolvimento e na maneira como eles se colocam no mundo. Uma criança que chama a atenção negativamente, é comprovado que não tem isso em casa e precisa desesperadamente, conseguir o tempo das pessoas, mesmo que seja tirando a paciência delas  (por que entenderam que só assim conseguem o olhar dos adultos).

Aqui em casa, temos sempre incluído o Lucano em nossas atividades: ele ajuda a colocar a mesa (damos as colheres e coisas que não machuquem para ele), ajuda a fazer o suco (segurando na alça do liquidificador, ou colocando com nossa supervisão, um copo d'água na jarra), ajuda a fazer bolo (colocando os ingredientes na batedeira e girando-a), ajuda a plantar no jardim (pegando na terra, cavando do jeito dele ou só brincando em volta). Tanto faz, o importante é que estamos verdadeiramente com ele, e ele se sente amado e seguro!

Falta uma semana para o dia das crianças, já estou de olho nos materiais que podemos usar para construir com ele alguns brinquedos bem legais!! Farei um fogãozinho de papelão, porque ele adora ajudar a mamãe a cozinhar:



Tio Lipe, Tia Paloma, Vô Julio, Vó Bete, Papai: cada um tem uma habilidade e tenho certeza que o Lucano vai se divertir muito se cada um colocar a criança pra fora e constriur com ele algum brinquedo! Aí vão idéias para todos. Quem disse que brinquedos feitos em casa tem de ser feios e que só servem para decorar?
Estes podem ser feitos com rolos de papel
de cozinha ou de papel higiênico

Bonecos super legais de caixa de ovo

Garrafa pet no jardim

Ainda temos tempo pra conseguir uma
caixa de geladeira por aí!

Jogos como estes são sempre divertidos e ajudam na coordenação

Para quem gosta de pintar ou fazer de EVA

Seu bebê é pequeno?

Meias velhas, coisinhas de metal perto da boca dos
peixes e imã na varinha de pescar!

São feitos de garrafa pet, coloquem
suas criatividades para fora!

Mais um brinquedo de PET, que ajuda na coordenação

Ensinar a lidar com o dinheiro? Porquinho de PET!

Jogo da velha de tampinhas

Quem se puxa nesse? Tudo de PET!

E qual a criança que não solta a
imaginação com um presente destes?

Aposto que os meninos vão gostar!
 Tudo de material PET!

E para as costureiras de plantão?

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Parto?

Este é um dos motivos pelo qual tenho estudado e me empenhado sobre a humanização do parto! Sobre a Maternidade Consciente: é possível entender as sensações do corpo, é possível ser tão bem tratado que a ocitocina seja abundante, dando o prazer e relaxamento que a mãe merece na hora do parto, é possível criar um ambiente que possibilite isso e oportunize um nascimento tranquilo e amoroso!

Após uma gestação sem risco, com preparação para o parto, nenhuma intervenção, respeito ao tempo da mulher e do bebê, paciência, amorosidade, poder sentir e expressar como for melhor para estar relaxada.

Se não quiserem ver toda a parte do Trabalho de Parto, vejam o que acontece no minuto 9:10 mais ou menos...depois me digam porque somos levadas a acreditar que o parto é qualquer coisa diferente disso...



terça-feira, 4 de setembro de 2012

Encontro com Laura Gutman em primeira mão!

Credenciais e Certificados!
Parceiras!

Nosso encontro com Laura Gutman foi EXTRAORDINÁRIO! 

Lígia e eu passamos 2 meses intensos, conversando pela internet, sem nos conhecer, fluindo numa parceria maravilhosa que culminou nessa lida sala, cheia de gente bacana e disposta a olhar para sua biografia humana e crescer! Nossa família participou ativamente, desde o apoio fundamental para que trabalhássemos tanto, até colocar a mão na massa, como produzir os certificados e credenciais (Frank, marido da Ligia) até o serviço de logística (Alberto, meu marido). A nós duas, uniram-se pessoas
O Cantinho das crianças sempre cheio e animado!
maravilhosas, como a Natalia Belotti, seu marido incansável e sua mãe, maravilhosos, que foram responsáveis pelo lindo espaço para as crianças. A Sheila, do Bazar Coisas de Mãe, que sem ela o  credenciamento teria sido mais caótico. A Flavia, que além de assessora de imprensa, foi assessora de assuntos diversos e uma parceira incansável! A Mariana Laura, com seu profissionalismo, doçura e espontaneidade, que criou bela sintonia com a Laura (além de nos ajudar com toda a logística)!


Agradecemos a parceria da Casa Moara, que nos cedeu aquele lindo material de apoio. A Mamatraca, que está produzindo videos do evento e o pessoal que nos ajudou na pré evento, com divulgação: MMqD e WebFilhos.

Abaixo alguns trechos preciosos transcritos pela queridíssima Simone de Carvalho, que para nós foi uma grata presença! Graças a ela teremos essa cópia fiel do que foi dito por Laura, para quem quiser aproveitar!
Atentem, que aqui coloco TRECHOS que fazem parte de um contexto, porém, mesmo como trechos, podem fazer sentido:

Lindas! Simone de Carvalho e Laura Gutman
..."Desde pequenos, então, congelamos nossas emoções para que não sintamos nada, e consequentemente, na maternidade não sentimos nada também. Quando dizem: deixe-o chorar! Na verdade, este pensamento não está condizendo com a realidade da mãe. Ao passo que é muito difícil ir contra ao que os outros dizem, e estar de acordo com o que realmente ela está sentindo.

...O processo de fusão emocional, citado no livro “Maternidade: encontro com a própria sombra” é definido pela autora como: “(...) No entanto, se elevarmos nossos pensamentos, conseguiremos imaginar que esse corpo recém-nascido não é apenas matéria, mas também u corpo sutil, emocional, espiritual.(...)De fato, o bebê e sua mãe continuam no mundo emocional.(...) Pelo fato de ainda não ter começado a desenvolver o intelecto, conserva suas capacidades intuitivas, telepáticas, sutis, que estão absolutamente conectadas com a sua mãe. Portanto, este bebê se constitui de um sistema de representação da alma materna”. (Pág. 17). O bebê precisa de nove meses para chegar ao seio de sua mãe. E, se o bebê não tem uma mãe sentindo o mesmo que ele sente, seu ambiente externo será muito hostil.

...O Discurso Materno é entendido como: o bebê chora e a mãe interpreta o choro do seu bebê do lado “de fora”. Não pensa no que realmente ele necessita. Pensa que ele é exigente. Não pensa que o seu único desejo é estar apegado ao corpo dela. A consciência de um bebê se organiza através das palavras que nomeamos. Bebês não recordam de emoções que não foram nomeadas. Os bebês sempre recordam do sacrifício de suas mães, porque na verdade, ninguém nomeia o ponto de vista da criança. Todos sabem o que a nossa mãe falou de nós. Todos têm um personagem. Mas, o que mais precisamos no amor materno é tentar ser da melhor forma como a minha mãe me vê. Passo a acreditar no que ela me diz e alimento a minha sombra. O que realmente sou que ela me diz que sou, a minha real capacidade, minhas virtudes... Sendo positivas ou negativas. A verdade é que uma criança acredita piamente em tudo aqui que sua mãe fala dela. O que eu esperava era ser interpretado através da “lente” da minha mãe. Mas ela também foi interpretada da mesma forma e assim sucessivamente. Se uma criança cresceu ouvindo que era terrível, indisciplinado, impossível, ele se dedica a ser melhor naquilo que sua mãe diz que ele é.  Porque isso significa a sua verdade, o seu ser em essência, que foi nomeado pela sua mãe."

"Quando estamos finalmente diante da nossa maternidade, passamos a buscar a criança interior que mora dentro de nós. É a verdadeira distância entre o seu eu essencial que somos e o personagem que vestimos durante toda vida. O abismo entre ambos é imenso. Neste momento, no encontramos com uma pessoa totalmente desconhecida para nós. E passamos a entrar uma jornada em busca do nosso ser essencial. Este, portanto, pode ser um momento de reviver as nossas necessidades genuínas da nossa infância, de quando éramos bebê, nos desprendendo aos poucos de pensar e se comportar de acordo com o que nossos pais nos interpretaram.  Quando éramos bebê, sofremos a violência invisível de não sermos interpretados como deveríamos ter sido. A violência por ser nomeada neste sentido como: palavras que não nomearam os nossos reais desejos e necessidades; adultos que acreditassem genuinamente nele; tempo e disponibilidade. Isso é violência. O bebê passa a sentir raiva, medo, dor. E passa a usar certos mecanismos para sobreviver. Muitos destes mecanismos passam a representar aquilo que ele viveu: são mecanismos baseados na violência que sofreu. Os pais deste bebê de alguma forma, também foram vítimas destas violências, ambos são também sobreviventes, e ambos sabem como ganhar um do outro. Passa a ser um ciclo vicioso. Na verdade, a pessoa que não atende a necessidade do outro, está de fato exercendo violência."

A maternidade é uma crise que nos esmigalha por completo. Para Laura, não é a maternidade que a interessa, mas o processo de quebra da mãe que é quando ela pede ajuda, quando o seu personagem não sustenta mais a sua vida e neste momento, ela está pronta para ir de encontro ao seu ser essencial. É um momento evidente de crise. E este personagem passa a não ser suficiente para suprir a demanda do bebê. Receber conselhos neste momento é realmente muito difícil. O que a mãe realmente necessita é entender a si mesma: compreender o seu nível de desamparo (o desamparo infantil). O bebê não precisa da mãe como ela é, porque ele tem suas próprias necessidades ao passo que ele está vinculado a uma mãe muito desvinculada. Esta mãe não está concentrada em sua menina interna. Não compreende a sua raiva. Não compreende conselhos. No ponto de vista da autora, é sempre necessário a mãe entrar em alguma indagação pessoal. Então, o trabalho da biografia da construção humana é necessário. Uma metodologia possível. Isso porque todos os sistemas morais apontam para o conhecimento de si mesmos. Jesus disse: “Conhece-te a si mesmo”. Isso significa conhecer a parte que você ainda não admite em você."

Laura Gutman e eu!
Foram apenas algumas das "doces bofetadas" que recebemos e das quais estamos nos recuperando ainda! Falamos assim no sentido de que estamos dispostas a olhar nossas sombras e por isso, sentimos o processo  como pesado e difícil de digerir. Mas o resultado disso é uma transformação amorosa e um reencontro com nossas essências, que tornam a maternidade mais prazerosa e o desenvolvimento de nossos filhos, mais harmônico! Com mais tempo, vou colocando mais trechos da transcrição!