sexta-feira, 19 de outubro de 2012

A Massificação do Parto e a luz no fim do túnel

Seguindo as indicações do livro "Amor o dominación: los estragos del patriarcado", de Laura Gutman, destaco esse trecho em que identifiquei cada uma das ações que sofri ao chegar em um "dos melhores hospitais de Porto Alegre", depois de ter minha bolsa rota e estar sem trabalho de parto. Com a "desculpa" de ser o procedimento padrão, ao qual ninguém contesta porque é padrão, fui sendo submetida a todas as coisas que hoje sei, por mais estudo, mais informação e necessidade em me acercar de meu íntimo, minha força, entender meus choros e falta de saber o que fazer. Uma necessidade de me empoderar como mulher e mãe, coisa que poderia ter feito se tivesse aberto meus olhos na gestação sobre o que realmente precisamos (nos) preparar para a chegada de nossos bebês. 

Parafraseando Laura, desde o parto do meu filho se passaram 2 anos e 4 meses. A cicatriz da cesária ainda deixa minha barriga anestesiada ao toque. Meu filho é um menino extraordinário. Também sei que nesse dia tomei a decisão de trabalhar para que situações como essa (uma cesária desnecessária), não aconteçam nunca, jamais, a nenhuma outra mulher no mundo. E é por isso que estou trabalhando pela UMA (Universidade Materna).

Então, fiquem com o trecho que fez meu marido também repensar onde faremos nosso segundo parto, quando chegar uma nova gestação:

"Quando ficamos grávidas e começamos a entender de que se trata tudo isso, nos encontramos facilmente com as propostas convencionais: visitar ao médico.Nos submetemos às rotinas de controles e análises clínicos. As famosas ecografias, cada vez mais banais, que nos permitem espiar a vida intrauterina de nossos bebês, como se fosse um filme-  já que o mundo corre velozmente para os formatos audiovisuais- e a preparação para um parto em um estabelecimento médico. Até aí, quase nada se altera. Tudo parece normal. Entretanto..., é como uma estrada com pedágio, como todas as estradas do mundo...por onde vamos aferradas ao voltante que nos conduz a todos a um mesmo lugar...convencional e patriarcal. Materialista. Funcional.Cortadas da conexão espiritual. Fora de nós mesmas. Com a garantia de que ninguém colocará em dúvida nossa cegueira, nem nosso congelamento perfeito para seguir na lógica do patriarcado.
Não chama a atenção que uma mulher que fez amor com um homem e que jorra sexo, amor, fluidos e gemidos, tenha que se submeter a toda uma assepsia de consultório médico que nada tem a ver com "isso" que está gestando? Acaso não é um desastre ecológico que nós mulheres entreguemos nossos corpos, nossos partos e nosso amora pessoas que têm muito medo das pulsões vitais e de quem não sabemos absolutamente nada, nem elas sabem de nós? Não é espantoso? Não é evidente que, afastadas de nosso ritmo feminino intrínseco, nos venha fenomenal qualquer pensamento externo a nós e acreditarmos em qualquer coisa para nos conectar com nosso ser essencial?
Se estamos dentro da estrada, é obvio que não podemos vislumbrar quase nenhuma paisagem. Só estancando a marcha, poderemos nos dar conta de que uma grávida saudável não deveria estar em um consultório médico, esperando sua consulta durante horas para perguntar a um desconhecido como está ela mesma! Não tería de estar submetida a medos. Não teria de chegar ignorante de si mesma a seu próprio parto. Não teria de sair de sua casa para ir a nenhum lugar para parir. Não teria de ser obrigada a tirar a roupa ou a não comer, nem a ser espetada, nem teria de receber oxitocina sintética, nem que outras pessoas determinassem quando o bebê deveria nascer, nem quanto tempo deveria durar o parto. Muito menos ninguém teria de presenciar ao parto. Que história é essa de "presenciar"? Por acaso alguém presencia quando fazemos amor? Se não estivessemos congeladas, não aceitaríamos toques vaginais realizados por pessoas que não conhecemos e a quem não tenhamos permitido, nem ofereceríamos alegremente nossos braços para serem espetados sem perguntar ao menos o que estão injetando. Além disso, tampouco consideraríamos que a cesária é a melhor forma de nascer, nem desejaríamos que alguém nos cortasse com um bisturi para irmos depressa para casa. Tudo isso acontece porque massivamente transitamos pelas estradas, e quando olhamos em volta, constatamos que todos seguem pelo mesmo caminho. Então concluimos que não existem alternativas.
Que massivamente as mulheres atravessemos nossos partos desconectadas de nossas emoções e congeladas-inclusive literalmente anestesiadas- é o início da desconexão da criança que nasce. Por que se não somos parte da cena e se não colocamos nossa humanidade em jogo, o recém nascido perceberá o ninho vazio. Desse modo continuará girando a roda do desespero e da ira, logo, a necessidade de dominar ou de ser dominado. O que mais me chama a atenção é que pouquíssimas pessoas percebem isso.  Entretanto, observar as salas de parto é como observar a planificação de nossas vidas dentro do formato patriarcal. Dessa forma, Michel Odent afirma que a humanidade mudará quando mudarmos as salas de parto. Quando participarmos das cenas de nascimento, com a força arrasadoras de nossas pulsões vitais, nosso amor e nossa liberdade.!"
Afe Maria! Se eu tivesse o mesmo dom de Laura Gutman, teria escrito isso! Fecho o livro e ouço palmas, as cortinas se fecham e o público segue aplaudindo!

Espero, com todas minhas forças, ajudar as futuras mães a terem coragem de se colocarem, de protagonizarem esse rito tão importante que é o nascimento!

O Parto e a ajuda necessária!

Devorei em dois dias o novo livro da Laura Gutman "Amor o Dominación: Los estragos del Patriarcado". Ele é contundente, realista, verdadeiro, profundo, pra quem tem coragem de se olhar sem desculpas!

Chorei em algumas partes e lia em voz alta com meu marido, outras tantas! A cada página virada, eu só dizia: "Caraaaaacaaaa! É isso!" Ela escreve como se estivesse conversando conosco, nua e crua, sem rodeios, o que precisa ser dito em uma conversa de adultos, lembrando sempre que a maioria das vezes, quem reage é nossa criança interior!

Destaco dois trechos, que para mim foram emocionalmente importantes:
"A anestesia em que vivemos a maioria das mulheres desde nossa mais tenra infância, produz que, massivamente, rejeitemos qualquer proposta que convide a conectar com o ser interior e com o genuíno poder feminino ligado a vibração espontânea do corpo. Por isso não se trata de "lutar" a favor do parto natural. Sim, vale a pena informar! Entretanto, hoje em dia, em que temos acesso a todo tipo de informação somente com um clic, isso não basta para que uma mulher, com o corpo congelado e afastada de seu mundo emocional, encontre alguma vantagem em parir conectada com a sua dor.
Tenho sido testemunha de cenas nas quais uma mulher, exultante com sua experiência de parto em casa em total sintonia com o Universo, tenta relatar as vantagens dessa decisão, esperando assim convencer a outra mulher grávida de que faça algo que para ela fi tão genuíno, revelador e extraordinário. O resultado é que não funciona. Isso não interessa em nada a grávida que a escuta. E quanto mais insiste a parturiente envolta em seu próprio êxtase de felicidade, mais a grávida se agarra a seu médico convencional, que lhe assegura continuar sua vida dentro dos mesmos parâmetros que vivia antes de engravidar.
Assim, se somos uma mulher "normal" convencional, tendo sobrevivido a uma infância como todo mundo, nem a pior nem a melhor, vamos querer atravessar o parto como passamos nossa vida: resolvendo-o dentro de parâmetros conhecidos. E anestesiada, se temos de pagar custos corporais e emocionais, justamente porque estamos separadas a respeito de nosso corpo e de nosso território emocional."

Ela segue dizendo que é importante que nos preparemos emocionalmente e façamos um mergulho em nossa história e posicionamentos de vida para conseguirmos nos libertar de tudo o que é "comum" e que no fundo não condiz com nossa essência e nossos mais profundos desejos, mas que seguimos fazendo tal qual nos foi colocado culturalmente, porque é mais "seguro" fazer o que todo mundo faz e diz, porque não precisamos nos colocar (ninguém duvidará) e, consequentemente, não precisaremos nos responsabilizar pelas coisas. Demais! 
Se queremos fazer algo por essas mulheres (muitas são nossas amigas, família, ou só porque são mulheres e merecem respeito) que ainda acreditam nesses cesaristas inescrupulosos, precisamos ajudá-las a ter contato com seus sentimentos mais escondidos, suas emoções e sua força, ter consciência de seus corpos, medos e fantasias. Isso porque depois de termos filhos, seremos cobradas de alguma forma a estarmos conectadas, então que seja uma preparação para ANTES de tê-los e estarmos mergulhadas até o pescoço e não conseguirmos o distanciamento necessário para responder seguras e harmoniosas.

Outra parte que me tocou intensamente, justamente porque caí nessa lábia de cesarista e depois fui me dando conta, momento a momento, cada ação desnecessária e cada desrespeito "velado" atrás de uma conduta ou um serviço "de melhor qualidade" na cidade. O subtítulo é "A massificação dos partos: outra estrada por onde transitamos todos". Vejam no próximo post.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Dia das crianças divertido!!

Minha proposta para o dia das crianças, considerando que é um feriado de sexta-feira e que teremos nossos filhos inteirinhos para nós: Vamos todos brincar com eles, lembrar das nossas brincadeiras de crianças e aproveitar nossas habilidades para construir brinquedos juntos?

No meu trabalho tenho lembrado da importância de sentarmos com as crianças, de brincarmos com elas, estando inteiros, presentes, de lembrarmos como éramos crianças e que ser alegre é tão simples perto delas. Elas precisam de muito pouco para entender que a felicidade vem de dentro. No fundo, no fundo, por mais que a sociedade chame a atenção para comprarmos brinquedos que enchem nossos olhos, o que eles REALMENTE precisam é que estejamos de corpo e alma com eles, olhando para eles, sentados no chão brincando e dando a eles o nosso tempo.

Na escola e na clínica tenho visto o quanto isso tudo faz toda a diferença na educação, no desenvolvimento e na maneira como eles se colocam no mundo. Uma criança que chama a atenção negativamente, é comprovado que não tem isso em casa e precisa desesperadamente, conseguir o tempo das pessoas, mesmo que seja tirando a paciência delas  (por que entenderam que só assim conseguem o olhar dos adultos).

Aqui em casa, temos sempre incluído o Lucano em nossas atividades: ele ajuda a colocar a mesa (damos as colheres e coisas que não machuquem para ele), ajuda a fazer o suco (segurando na alça do liquidificador, ou colocando com nossa supervisão, um copo d'água na jarra), ajuda a fazer bolo (colocando os ingredientes na batedeira e girando-a), ajuda a plantar no jardim (pegando na terra, cavando do jeito dele ou só brincando em volta). Tanto faz, o importante é que estamos verdadeiramente com ele, e ele se sente amado e seguro!

Falta uma semana para o dia das crianças, já estou de olho nos materiais que podemos usar para construir com ele alguns brinquedos bem legais!! Farei um fogãozinho de papelão, porque ele adora ajudar a mamãe a cozinhar:



Tio Lipe, Tia Paloma, Vô Julio, Vó Bete, Papai: cada um tem uma habilidade e tenho certeza que o Lucano vai se divertir muito se cada um colocar a criança pra fora e constriur com ele algum brinquedo! Aí vão idéias para todos. Quem disse que brinquedos feitos em casa tem de ser feios e que só servem para decorar?
Estes podem ser feitos com rolos de papel
de cozinha ou de papel higiênico

Bonecos super legais de caixa de ovo

Garrafa pet no jardim

Ainda temos tempo pra conseguir uma
caixa de geladeira por aí!

Jogos como estes são sempre divertidos e ajudam na coordenação

Para quem gosta de pintar ou fazer de EVA

Seu bebê é pequeno?

Meias velhas, coisinhas de metal perto da boca dos
peixes e imã na varinha de pescar!

São feitos de garrafa pet, coloquem
suas criatividades para fora!

Mais um brinquedo de PET, que ajuda na coordenação

Ensinar a lidar com o dinheiro? Porquinho de PET!

Jogo da velha de tampinhas

Quem se puxa nesse? Tudo de PET!

E qual a criança que não solta a
imaginação com um presente destes?

Aposto que os meninos vão gostar!
 Tudo de material PET!

E para as costureiras de plantão?

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Parto?

Este é um dos motivos pelo qual tenho estudado e me empenhado sobre a humanização do parto! Sobre a Maternidade Consciente: é possível entender as sensações do corpo, é possível ser tão bem tratado que a ocitocina seja abundante, dando o prazer e relaxamento que a mãe merece na hora do parto, é possível criar um ambiente que possibilite isso e oportunize um nascimento tranquilo e amoroso!

Após uma gestação sem risco, com preparação para o parto, nenhuma intervenção, respeito ao tempo da mulher e do bebê, paciência, amorosidade, poder sentir e expressar como for melhor para estar relaxada.

Se não quiserem ver toda a parte do Trabalho de Parto, vejam o que acontece no minuto 9:10 mais ou menos...depois me digam porque somos levadas a acreditar que o parto é qualquer coisa diferente disso...



terça-feira, 4 de setembro de 2012

Encontro com Laura Gutman em primeira mão!

Credenciais e Certificados!
Parceiras!

Nosso encontro com Laura Gutman foi EXTRAORDINÁRIO! 

Lígia e eu passamos 2 meses intensos, conversando pela internet, sem nos conhecer, fluindo numa parceria maravilhosa que culminou nessa lida sala, cheia de gente bacana e disposta a olhar para sua biografia humana e crescer! Nossa família participou ativamente, desde o apoio fundamental para que trabalhássemos tanto, até colocar a mão na massa, como produzir os certificados e credenciais (Frank, marido da Ligia) até o serviço de logística (Alberto, meu marido). A nós duas, uniram-se pessoas
O Cantinho das crianças sempre cheio e animado!
maravilhosas, como a Natalia Belotti, seu marido incansável e sua mãe, maravilhosos, que foram responsáveis pelo lindo espaço para as crianças. A Sheila, do Bazar Coisas de Mãe, que sem ela o  credenciamento teria sido mais caótico. A Flavia, que além de assessora de imprensa, foi assessora de assuntos diversos e uma parceira incansável! A Mariana Laura, com seu profissionalismo, doçura e espontaneidade, que criou bela sintonia com a Laura (além de nos ajudar com toda a logística)!


Agradecemos a parceria da Casa Moara, que nos cedeu aquele lindo material de apoio. A Mamatraca, que está produzindo videos do evento e o pessoal que nos ajudou na pré evento, com divulgação: MMqD e WebFilhos.

Abaixo alguns trechos preciosos transcritos pela queridíssima Simone de Carvalho, que para nós foi uma grata presença! Graças a ela teremos essa cópia fiel do que foi dito por Laura, para quem quiser aproveitar!
Atentem, que aqui coloco TRECHOS que fazem parte de um contexto, porém, mesmo como trechos, podem fazer sentido:

Lindas! Simone de Carvalho e Laura Gutman
..."Desde pequenos, então, congelamos nossas emoções para que não sintamos nada, e consequentemente, na maternidade não sentimos nada também. Quando dizem: deixe-o chorar! Na verdade, este pensamento não está condizendo com a realidade da mãe. Ao passo que é muito difícil ir contra ao que os outros dizem, e estar de acordo com o que realmente ela está sentindo.

...O processo de fusão emocional, citado no livro “Maternidade: encontro com a própria sombra” é definido pela autora como: “(...) No entanto, se elevarmos nossos pensamentos, conseguiremos imaginar que esse corpo recém-nascido não é apenas matéria, mas também u corpo sutil, emocional, espiritual.(...)De fato, o bebê e sua mãe continuam no mundo emocional.(...) Pelo fato de ainda não ter começado a desenvolver o intelecto, conserva suas capacidades intuitivas, telepáticas, sutis, que estão absolutamente conectadas com a sua mãe. Portanto, este bebê se constitui de um sistema de representação da alma materna”. (Pág. 17). O bebê precisa de nove meses para chegar ao seio de sua mãe. E, se o bebê não tem uma mãe sentindo o mesmo que ele sente, seu ambiente externo será muito hostil.

...O Discurso Materno é entendido como: o bebê chora e a mãe interpreta o choro do seu bebê do lado “de fora”. Não pensa no que realmente ele necessita. Pensa que ele é exigente. Não pensa que o seu único desejo é estar apegado ao corpo dela. A consciência de um bebê se organiza através das palavras que nomeamos. Bebês não recordam de emoções que não foram nomeadas. Os bebês sempre recordam do sacrifício de suas mães, porque na verdade, ninguém nomeia o ponto de vista da criança. Todos sabem o que a nossa mãe falou de nós. Todos têm um personagem. Mas, o que mais precisamos no amor materno é tentar ser da melhor forma como a minha mãe me vê. Passo a acreditar no que ela me diz e alimento a minha sombra. O que realmente sou que ela me diz que sou, a minha real capacidade, minhas virtudes... Sendo positivas ou negativas. A verdade é que uma criança acredita piamente em tudo aqui que sua mãe fala dela. O que eu esperava era ser interpretado através da “lente” da minha mãe. Mas ela também foi interpretada da mesma forma e assim sucessivamente. Se uma criança cresceu ouvindo que era terrível, indisciplinado, impossível, ele se dedica a ser melhor naquilo que sua mãe diz que ele é.  Porque isso significa a sua verdade, o seu ser em essência, que foi nomeado pela sua mãe."

"Quando estamos finalmente diante da nossa maternidade, passamos a buscar a criança interior que mora dentro de nós. É a verdadeira distância entre o seu eu essencial que somos e o personagem que vestimos durante toda vida. O abismo entre ambos é imenso. Neste momento, no encontramos com uma pessoa totalmente desconhecida para nós. E passamos a entrar uma jornada em busca do nosso ser essencial. Este, portanto, pode ser um momento de reviver as nossas necessidades genuínas da nossa infância, de quando éramos bebê, nos desprendendo aos poucos de pensar e se comportar de acordo com o que nossos pais nos interpretaram.  Quando éramos bebê, sofremos a violência invisível de não sermos interpretados como deveríamos ter sido. A violência por ser nomeada neste sentido como: palavras que não nomearam os nossos reais desejos e necessidades; adultos que acreditassem genuinamente nele; tempo e disponibilidade. Isso é violência. O bebê passa a sentir raiva, medo, dor. E passa a usar certos mecanismos para sobreviver. Muitos destes mecanismos passam a representar aquilo que ele viveu: são mecanismos baseados na violência que sofreu. Os pais deste bebê de alguma forma, também foram vítimas destas violências, ambos são também sobreviventes, e ambos sabem como ganhar um do outro. Passa a ser um ciclo vicioso. Na verdade, a pessoa que não atende a necessidade do outro, está de fato exercendo violência."

A maternidade é uma crise que nos esmigalha por completo. Para Laura, não é a maternidade que a interessa, mas o processo de quebra da mãe que é quando ela pede ajuda, quando o seu personagem não sustenta mais a sua vida e neste momento, ela está pronta para ir de encontro ao seu ser essencial. É um momento evidente de crise. E este personagem passa a não ser suficiente para suprir a demanda do bebê. Receber conselhos neste momento é realmente muito difícil. O que a mãe realmente necessita é entender a si mesma: compreender o seu nível de desamparo (o desamparo infantil). O bebê não precisa da mãe como ela é, porque ele tem suas próprias necessidades ao passo que ele está vinculado a uma mãe muito desvinculada. Esta mãe não está concentrada em sua menina interna. Não compreende a sua raiva. Não compreende conselhos. No ponto de vista da autora, é sempre necessário a mãe entrar em alguma indagação pessoal. Então, o trabalho da biografia da construção humana é necessário. Uma metodologia possível. Isso porque todos os sistemas morais apontam para o conhecimento de si mesmos. Jesus disse: “Conhece-te a si mesmo”. Isso significa conhecer a parte que você ainda não admite em você."

Laura Gutman e eu!
Foram apenas algumas das "doces bofetadas" que recebemos e das quais estamos nos recuperando ainda! Falamos assim no sentido de que estamos dispostas a olhar nossas sombras e por isso, sentimos o processo  como pesado e difícil de digerir. Mas o resultado disso é uma transformação amorosa e um reencontro com nossas essências, que tornam a maternidade mais prazerosa e o desenvolvimento de nossos filhos, mais harmônico! Com mais tempo, vou colocando mais trechos da transcrição!

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Maternidade Consciente!

A mulher que vem nascendo em mim desde o nascimento do meu filho, grita por poder ajudar a outras mães a desenvolverem esse olhar consciente em relação à maternidade. Desde então, leio vorazmente autores como Laura Gutman, Michel Odent, Dr. Carlos González, Janet Balaskas, entre outros tantos. Estou trazendo, em parceria com a Ligia Sena e o Bazar Coisas de Mãe, a Laura Gutman para um seminário que, tenho certeza, será maravilhoso!

Colocar LUZ nas sombras!
A intensidade na busca por fundamentos acerca da Maternidade Consciente, é diretamente proporcional ao que passei durante um ano depois do nascimento de meu filho, em que fui tomando consciência com as informações que pareciam ter sido escritas através de mim e para mim (e muitas outras mulheres):

"Cada vez que uma mulher tem a coragem de relatar os maus tratos que recebeu durante o trabalho de parto, adquirindo consciência do vivido, se produz uma avalanche de identificações em suas recordações. E aí, com espanto, cada uma constata o que não se atreveu a dizer, o que não conseguiu pedir, o que não exigiu, o que não soube"  Laura Gutman, cap.2 sobre O Parto, em A Maternidade e o Encontro com a Própria Sombra.

Fotos de Gettyimages
 Esse trecho traduz com exatidão, o que se passou ao longo do primeiro ano em que fui despertando para o que realmente significava o termo "maus tratos", que parecia grande demais: "Fui atendida em um dos melhores hospitais, estive tranquila, meu filho nasceu bem..." MAS...

"Eu não dilato...costuma ser a explicação que as mulheres dão para justificar a cesariana. No entanto, todas as mulheres dilatam. Simplesmente não se esperou o tempo suficiente." Diga-se de passagem que essa é UMA das desculpas dos médicos às gestantes sonhadoras, que somos, esperando nosso doce bebê...Mau trato em obstetrícia significa não dar a informação correta, decidir pela mãe, obrigá-la (mesmo que veladamente) a ficar deitada durante o trabalho de parto, o que já é provado que intensifica as dores e retarda o trabalho de parto, optar por uma cesária "porque há mecônio ou circular de cordão", o que também já se provou não ser condição sine qua non para tal procedimento...

E "o espanto" a que Laura se refere no trecho anterior me pegou de jeito, uma vez que eu tinha todas as informações, trabalhava com saúde materno infantil e, efetivamente, conseguia instruir e ajudar a muitas mães...então porque não percebi os maus tratos??? Por que não questionei, por que não exigi meus direitos???

Enfim, após ganhar meu lindo menino, passei pelo tempo de reconhecimento, encantamento, organização da nova vida, amor incondicional transbordante e, depois disso ou junto a isso, aquele estranhamento que já comentamos em nossos grupos: "O que há comigo??". Segundo Laura Gutman, é a sombra, para a qual não "me prepararam".

"A maioria das mães se queixa 'porque ninguém lhes contou como era realmente a criação de um bebê' (e aqui eu acrescento o trabalho de parto, o parto, e mais que isso, a assistência que merecemos!) e elas tiveram de aprender literalmente se expondo. É verdade que a experiência é individual, mas, nestes tempos em que abundam as idéias de preparação para o parto, chama minha atenção o fato de que as mulheres continuam chegando muito desvalidas ao momento de assumir a maternidade, sempre no terreno do emocional."

Trabalho de parto com respeito, com amor, com tranquilidade

Esse é meu trabalho e assim será, amorosamente e incansavelmente, a favor das aptidões das mulheres para a maternidade. "Guiando e cuidando delas nesse processo de casulo frágil que se transforma em flor. Uma flor bela e altiva que conhece as leis da natureza e, acima de tudo, as emoções femininas. A criança que está para nascer nos dá a possibilidade de ingressar no mundo adulto (das emoções), mas a decisão de fazê-lo é pessoal. Neste sentido, ser cúmplice da ingenuidade em que a mulher grávida navega é uma decisão profissional."

(Aqui um parênteses: eu e meu marido chegamos a essa conclusão antes de ler as sábias palavras de Laura: não percebemos os maus tratos no meu trabalho de parto, não exigimos e não perguntamos, porque fomos ingênuos, como Laura refere contundentemente, quando diz que "As mulheres se dão ao luxo de ficar tentadas com uma ingenuidade absoluta durante a gravidez. Há uma tendência social de apresentar as grávidas embelezadas com o ventre à mostra, observando, reclusas, o mundo a partir do próprio umbigo, infantilizadas e cercadas de pensamentos supérfluos, folheando revistas românticas e de conselhos úteis.")

Algumas pessoas que ainda não passaram pelo período de puerpério, dirão: "Nossa! Que pesado!" É, é muito pesado olhar para trás e ver que ao invés de sustentar meu emocional, com práticas, discussões em grupo e informações acerca de nossas sombras que fazem questão de aparecer intrinsecamente ligadas ao nascimento de nossos lindos bebês, lembro de sorver, de forma pueril, blogs e sites, revistas e livros que falavam do quarto do bebê, do enxoval, das mudanças biológicas que ocorriam na minha barriga e corpo inteiro, e que flutuei docemente com meu ego-barriga ao ter minha linda barriga de grávida elogiada e acariciada. 

Não há problema nisso, precisamos mesmo ser paparicadas e curtir a parte doce da vida de gestante, com toda glória, o problema está em esquecer do resto, ou achar que não é importante...Porque a partir do parto nossa sombra bate à porta e precisamos saber como lidar com ela, para viver os primeiros anos com nossos bebês em harmonia, sem que eles venham a manifestá-la através de choros incontroláveis, noites arrebatadoramente sem dormir e mal estares repetitivos que podem ser evitados, quando decidirmos "tomar um chá com nossa sombra" e aprendermos a lidar bem com ela, crescendo como mulher e ser humano.


Todos os trechos entre "aspas" em itálico, foram pinçados do livro "A Maternidade e o Encontro com a Própria Sombra" de Laura Gutman que, na minha opinião, é suporte fundamental no processo de tornar-se mãe, adulta e segura, entrando em contato com as nuances femininas com respeito e sabedoria para criar filhos livres de nossas sombras.



quarta-feira, 11 de julho de 2012

Resultado do Sorteio: Laura Gutman Eu Vou!

O sorteio de hoje foi uma grande ação de divulgação dos Seminários! Ficamos muito felizes com a rede de mães e profissionais que se criou para realizarmos juntas o sonho de ter Laura Gutman por perto! 
Aqui vai o resultado do nosso primeiro sorteio! Desculpem-nos o atraso! Gostaríamos de contemplar a todas, mas desta vez as ganhadoras foram:

Para o seminário de  Florianópolis, dia 01/09:
ELLEN YURIKA

Para o seminário de São Paulo, dia 02/09:
GIOVANA DO PRADO

Pedimos às sorteadas que requeiram suas inscrições através dos comentários deste post (para que seja público) dentro do prazo de três dias (até 14/07), caso não aconteça o contato, as segundas colocadas do sorteio levarão a inscrição! Agradecemos a participação de todas e fiquem atentas aos próximos sorteios!
As fotos de tela do Random.org, que realizou o sorteio, para conferência:

- A lista com 13 pessoas:
Lista de 13 pessoas em Florianópolis
 - A lista sorteada:
RESULTADO PARA FLORIANÓPOLIS
 - A lista com 39 pessoas:
Lista com 39 pessoas para São Paulo
 - A lista sorteada:
RESULTADO PARA SÃO PAULO