quinta-feira, 27 de março de 2014

De corpo (mente, coração e espirito) presente!

Adoro desafios, eles me mostram uma página em branco, uma possibilidade de pitar a página em branco com novas cores, formas diferentes, imaginar o que eu quiser, e para mim isso é confortável! E é com isso em mente que escolhemos algo desconhecido, que estamos olhando com mais atenção para nós enquanto estamos com nosso filho e exercitando mais a escuta amorosa e atenta ao que ele manifesta (mesmo que nas entrelinhas).

Nossa sociedade está constituída de tal forma que pouco depois que os bebês nascem já somos chamadas para longe deles, trabalhar, produzir e deixar nossos filhos aos cuidados de outras pessoas. Valorizo o trabalho, amo estudar e produzir, mas neste momento quero aliar as duas coisas, mas mais do que isso, ficar mais tempo com meu filho. O crescimento deles acontece num piscar de olhos e se ficamos longe deles a maior parte do dia, não vemos mesmo por que caminhos eles estão pisando, com que pedras tem se deparado, em que águas tem banhado suas alegrias.

A evolução da sociedade tem nos permitido, inclusive, rever como estamos produzindo, como vivemos e o que queremos para o mundo, ou que mundo queremos para nossos filhos. Muitas empresas já tem horários flexíveis, muitas pessoas têm tornado-se empreendedoras ou profissionais liberais, justamente para conseguir fazer escolhas mais conscientes (no sentido de poder escolher o que deseja para sua vida e não ser arrastado pelas circunstâncias).

Algumas mães com quem converso já me disseram: "tenho que ir trabalhar, fazer o que?" Respeito. Porém não acho que a vida é encerrada em poucas opções. Ao contrário, nós somos protagonistas de nossas vidas e podemos escolher viver de outras formas, se quisermos, trabalhar de outros jeitos e em outro lugares, quem sabe? Não precisamos nos encerrar a vida toda esperando a aposentadoria chegar, muita coisa passa enquanto esperamos o final de semana, as férias, a aposentadoria. Temos todas as opções do mundo para nos sustentar e viver melhor.

Estar mais tempo com meu filho hoje significa trabalhar só de manhã, enquanto meu marido fica com ele e estar com ele todas as tarde, enquanto meu marido trabalha. Significa mais que isso, levá-lo à natação e ficar lá olhando ele se relacionar com os colegas e com seus limites e potencial. Levá-lo à pracinha e brincar com ele no balanço, vibrar com suas conquistas, estar apoiando para fazer novas amizades. Ligar muito menos a televisão e chamá-lo para ajudar a colocar a mesa, fazer bolo juntos, arrumar a cama, ele é um ajudante e tanto! Todas as crianças são, adoram ser úteis para mamãe e papai, faz parte da construção da autoestima deles!

Também significa olhar mais para minhas reações ao que ele faz e o que sinto quando ele me contraria (e ele faz muito isso). Estar presente no instante em que "ele me tira do sério" e me questionar internamente: "Por que o que ele está fazendo, me tira do sério? Por que quero obrigá-lo a fazer algo que ele está dizendo que não quer? Por que estou tão sem paciência hoje? Onde e por que deixei de me divertir? Por que não pode? O que será que ele está querendo dizer com isso? Por que estou apressada e por que estou querendo fazer outra coisa enquanto estou aqui?"

Tenho questionado sinceramente essas coisas, penso que mesmo que se fique um mínimo de tempo do dia com as crianças, podemos estar mais alertas a essas ações e reações silenciosas e que marcam toda uma existência. Percebo que são coisas que passaram de geração para geração e que vão marcando a vida de quase todo mundo, quando "o outro é o culpado pelas mazelas da minha vida, quando não me responsabilizo pelo que estou sentindo, quando fazemos ou dizemos coisas 'por que é assim', repetindo coisas que nem fazem mais sentido só porque não paramos para refletir mais profundamente sobre elas, quando seguimos regras que nem servem mais para nós, porque estamos acostumados, etc".

As crianças aprendem por imitação, elas imitam nossos gestos, nossas reações, nossas caretas, nossas sutilezas, nosso abandono, nossa presença e nossas idiossincrasias. Estarmos atentos ao que estamos oferecendo para que eles imitem e se constituam, é o que estamos exercitando neste momento.

Perfeição? Não! Nem sempre estamos presentes, às vezes com mil coisas na cabeça, tentamos brincar com ele, mas ele percebe que estamos em outro lugar, queremos cumprir outras tarefas, às vezes ainda insistimos com regras que nem tem tanto sentido para nós se pararmos para pensar, porque foi assim que fomos criados e repetimos isso naturalmente sem questionar. Quando lutamos com a presença, o Lucano manifesta isso na hora com mal comportamento, com birra, com agitação. Se conseguimos ouvi-lo, sentir mais do que pensar e agir com ele com mais acolhimento do que por exigência, tudo flui e saimos todos felizes.

Isso não significa de forma nenhuma que "ele faz o que quer", justamente porque algumas pessoas acham mais fácil não entrar "no embate", porém não se trata de um "embate" se trata de uma relação de amor, onde estou exercitando estar 100% presente com ele, respeitando sua individualidade, sabendo que mesmo que ele seja pequeno ele tem vontades e predileções. Mesmo assim, tem hora para algumas coisas, outras não vai poder mesmo, algumas a gente pode negociar, outras não, às vezes ele vai espernear, mas não vai dar mesmo, enfim, enfrentar isso de coração aberto, ouvindo com atenção e respondendo com mais amorosidade é um exercício difícil mas muito, muito recompensador!

Já vimos que para conseguirmos, é preciso muita entrega, atenção plena e honestidade sobretudo conosco...e o mundo em massa realmente ainda pensa que "o mundo não pára para isso" ou dá muito trabalho. Realmente, dá trabalho, um trabalho interno duro, mas muito menos trabalho do que ter um adolescente ou adulto revoltados com a vida, inconscientes de sua potência, que necessitam de altas doses de adrenalina (ou outras coisas) para sentirem-se plenos, que trabalham pra burro e não tem tempo para serem felizes, depressivos, obesos, sentindo-se sozinhos na multidão, hiperativos ou com défcit de atenção, ou os dois!

Quem acelera ou desacelera o mundo somos nós, estamos exercitando a presença. Quem quiser venha junto, e nos apoiamos e crescemos juntos, com as alegrias e adversidades!

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

A Maternidade e o Sono

Muitas vezes, em meus atendimentos, as mães querem saber como dormir mais. A verdade é que o sono muda e o que precisamos saber é como aproveitar o tempo para estarmos descansadas. No primeiro mês do Lucano eu aproveitava o tempo que ele dormia para fazer coisas em casa, mas com o tempo fui percebendo que, como eu estava exclusivamente com ele, podia aproveitar o tempo que ele tirava uma sonequinha de manhã, por exemplo, para dormir também. Isso me ajudava a repor um pouco as energias.

A imagem que tenho hoje do período de puerpério, depois que temos nossos bebês é que assim como ele vai acostumando com seu corpinho e com o mundo, nós também podemos ir acostumando que o tempo de quem tem filhos é outro, e nos permitir ir mais devagar na vida. Tempo de"mamãe-ursa hibernando na caverna." Depois saimos da hibernação, mas se pudermos lembrar de ir mais devagar, daremos a chance a nossos filhos de viver o presente, olhando cada coisa no caminho, sem pressa, percebendo a si e ao mundo com calma, para estarem realmente atentos à vida e não serem, mais tarde, taxados de hiperativos, um sintoma que a meu ver nasce da forma como lidamos como pais, com eles.

Falando em ir mais devagar na vida, faço uma relação importante da pressa com o sono. Crianças hoje parecem "ligadas na tomada" e não conseguem descansar. Qual nossa parcela de contribuição para que as crianças estejam a mil? Como temos construído seus cotidianos? Damos tempo ou oportunidade  para eles ficarem quietinhos?



E à noite? Como fica nossa casa? Que tipo de estímulos o bebê recebe à noite? Que tipo de alimento temos comido (e que passa para eles pelo leite)?

No livro da Laura Gutman, A Maternidade e o Encontro com a Própria Sombra, tem um capítulo inteirinho sobre o sono e como lidamos com ele. Ela comenta que quando as crianças não dormem, queremos soluções imediatas e vai mais fundo nos questionamentos: O que significa o fato de uma criança não estar dormindo bem? E lembra que é importante levarmos em conta a idade das crianças, quando discorremos sobre o sono.

Ela diz que "há, concretamente, em nossa sociedade, uma tendência alarmante de afastar o máximo de tempo possível as crias do corpo da mãe."  Vocês já perceberam que crianças que são carregadas em sling são muito mais tranquilos, tem menos cólica e dormem mais? O calor do aconchego materno dá tranquilidade aos bebês e ajudam a manter o nível hormonal de prazer e relaxamento em ativação. Procurem carregar mais os bebês no sling, ao invés do carrinho, tirem uma soneca com eles de manhã. Façam Shantala, massagem para bebês. Cuidem para não comer alimentos estimulantes. Deixem a casa tranquila, à meia luz, depois das 19h. Nãi liguem a TV à noite antes do bebê dormir. São estimulos que a gente cuida e que podem fazer uma GRANDE diferença no sono de nossos pequenos.

Além disso, quando o bebê está em atividade, atento, olhando para todos os lados, mexendo bastante pernas e braços, se estivermos atentos, poderemos perceber que é hora de brincar. Brincando nos momentos ativos, eles usam bem suas energias, interagindo com qualidade e, na hora de dormir estarão cansados. O que vocês fazem nas horas ativas do bebê? E o que fazem quando eles dormem? Isso influencia diretamente em como e quanto eles dormem!

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

O Parto! Que parto!

Já falei muitas vezes sobre ele, tem pesquisas científicas e textos muito preciosos para podermos nos preparar para ele inclusive até antes de engravidar, porque as escolhas que tomamos (ou somos levadas) podem ser conscientes, baseadas em cientificidade e não na cultura do medo.

Este último mês acompanhei uma gestante que me ligou com 39 semanas, dizendo que queria muito ter um parto normal e que tinha acabado de sair da consulta em que o médico pressionou dizendo que se ela não tivesse dilatação até a próxima semana, marcaria cesária...ou seja, acabou a produção de ocitocina, ela ficou tensa, o médico teve a capacidade de dizer a ela:

 "Você só precisa dilatar, o resto como estourar a bolsa ou fazer manobra pra o bebê descer, eu faço" (e nas entrelinhas vai um: se você não tem capacidade só pra dilatar, vai ter que fazer cesária).

Avisou: "Se a bolsa romper antes do Trabalho de Parto, tem que fazer cesária"
(ou seja, o Lobo Mal vai comer a chapeuzinho, seja lá o que ela tente fazer)

Fiquei arrasada!! Como a indústria do medo faz-nos confiar em médicos que desconsideram a natureza do corpo, a extraordinária capacidade que nosso corpo tem e, apressando as coisas, dão desculpas como: "Viu, você não dilatou"...ou "É, você não entrou em trabalho de parto, tsc, tsc, tsc". E a gente acredita na nossa falsa incapacidade, gerada por uma antecipação do tempo que não permite que o corpo (nosso e do bebê) esteja pronto.

Aqui tem textos muito bacanas sobre o parto, a violência no parto (sim, pressionar uma pessoa a fazer uma cirurgia no lugar do parto, é violência obstétrica):

Por que a cesareana com hora marcada é a opção menos segura de parto? da Flávia Maciel de A.F. de Mendonça, médica ginecologista.

Eu Acredito. da Kalu Brum, jornalista, doula fotógrafa, professora de yoga e meditação..

Violência Obstétrica by Ana Cristina Duarte, Obstetriz e Educadora Perinatal.

E todas as pesquisas feitas pela Dra. Melania Amorim, médica ginecologista e obstetra, mestre, doutora e pós doutora mais de uma vez (e muito mais)...Vejam em Estuda Melania, Estuda

E tem muito mais pra quem quer estar bem informada e bem preparada pra não cair na conversa de médicos que, aparentemente nos tratam super bem, são queridos e acabam nos levando a uma cesária desnecessária que produz efeitos colaterais tão desastrosos (incluindo os emocionais e relacionais)...

Sobre a Recusa de Procedimentos Médicos, das lindas e competentes profissionais do "Você quer parto normal? Pergunte-me como."

E, claro, a Cientista que virou mãe, Ligia Moreiras Sena.

Dois vídeos sobre o assunto:
Violência Obstétrica, a voz das brasileiras. 
Produzido por Bianca Zorzam, Ligia Moreiras Sena, Ana Carolina Franzon, Kalu Brum, Armando Rapchan.


Que nenhuma outra gestante passe por violência obstétrica (mesmo e inclusive, velada, com cara de "sou querido e estou cuidando de você"...porque você não sabe se cuidar...)

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Aleitamento e Complemento: Importante pensar!

Quantas mães não ouvem dizer que depois de determinada idade já não precisam  

amamentar porque o seu leite deixa de ter benefícios? A OMS recomenda que se amamente

em exclusivo (apenas leite materno) até aos 6 meses e que se prolongue, em conjunto 

com outros alimentos, até pelo menos 2 anos de vida da criança.



Minha amiga e parceira de uma jornada bacana, Ligia Moreiras Sena, que eu gostaria de conviver muito mais, escreveu um texto MARAVILHOSO sobre Aleitamento e Complementação, sob o cuidado e embasamento de quem é pós doutora e sabe MUITO BEM o que está falando. Ela lançou, em Junho, uma postagem coletiva sobre o assunto e por ocasião disso, pesquisou e encontrou um texto de Marina Ferreira Rea, intitulado "Substitutos do Leite Materno: Passado e Presente" que recomendo muito, mas peço licença para a Ligia e deixo-as com o importante texto dela, para que todos possam ter informação correta e criticidade necessária sobre a industria da medicina:

Aí vai o texto da Lígia, do Blog Cientista que virou Mãe: ela faz uma introdução dizendo como encontrou o texto da Marina, resume algumas idéias interessantes da pesquisa e, como só ela sabe fazer, discorre sobre o assunto com conhecimento de causa. Agradeço à Lígia!!!

"A despeito de ser um texto relativamente antigo, de 1990, é absolutamente atemporal. Traça todo o histórico da criação e propagação comercial e social dos substitutos do leite materno. E é um daqueles artigos que, durante a leitura, vai te dando vergonha de fazer parte da espécie humana, que muitas vezes é Homo nada sapiens. A história dos substitutos do leite materno é uma história mais ligada ao comércio que à saúde, sinto lhes dizer... E é uma história muito feia.
Nesse artigo, há uma diversidade de informações essenciais, daquelas que todo mundo precisaria ter acesso.
Por exemplo:
  • historicamente, quando um bebê não era amamentado por sua mãe - o que por si só já era um evento raro - era o leite do peito de outra mãe que o alimentava. Eu, particularmente, gostaria de estar vivendo num mundo em que as amas-de-leite não fossem mais artigos raros. Talvez tenha sido por isso, também, que fiz questão de doar muitos e muitos litros de leite para o hospital infantil da cidade, quando a minha produção ainda não havia se regularizado;
  • o primeiro a recomendar o uso do leite da vaca como alternativa ao humano foi um médico chamado Underwood. Sabe quando? Em 1784. O interessante é notar o contexto histórico da época: as mulheres burguesas e as que tinham melhores condições financeiras recusavam-se a amamentar seus filhos, vejam só que coisa...
  • foi um outro médico, chamado William Cadogan, que, embora defensor do aleitamento natural, instituiu a regularidade das mamadas, ou seja, que os bebês fossem alimentados em horários fixos, a cada 4 horas. Foi ele também que "proibiu" as mamadas noturnas. E você sabe por quê tantas regras? Porque ele, pessoalmente, acreditava que alimentar um bebê era um momento de lhe passar uma infecção. Meio problemático esse doutor, não? Isso no século 18, tá? Então, minha querida, se você é daquelas que colocou horário para a mamada porque sua doutora disse que era pra fazer assim, sinto lhe dizer: você não é nada moderninha, você é antiquada pacas. Ouso até dizer que você é demodê, baby, datada mesmo. Sai dessa, fofa. Vem pra modernidade. Seu bebê não é relógio. Ele é um bichinho. E, como tal, tem fome a qualquer hora;
  • essa parafernalha toda de fórmulas, complementação e tal começou com o leite condensado - que não era propriamente o leite condensado que a gente conhece hoje. Mas foi difundido comercialmente por uma empresa cujo nomezinho você conhece até hoje: Nestlé. E só foi difundido assim tanto porque coincidiu com o momento da revolução industrial, quando as mulheres passaram a trabalhar grandes cargas horárias, mesmo na época da amamentação. O seguinte trecho, inclusive, está nesse excelente artigo:
"Page, um americano que formara na Suíça a Anglo-Swiss Condensed Milk Co., supôs corretamente que o leite condensado produzido podia ser estocado e utilizado pela população em crescimento da Inglaterra no período da industrialização". 
Ou seja: o substituto do leite materno não foi feito "com carinho, com amor, para mães alimentarem, também com amor, seus filhos". Foi feito pra população cair de boca no trabalho. Foi feito pensando no crescimento da industrialização, do capitalismo selvagem. Quando certas indústrias, portanto, usam o slogan "Faz bem", não está mentindo. A questão é: faz bem pra quem, neném?

  • o artigo também chama a atenção para a relação digamos, "íntima", que existe entre os fabricantes de substitutos ao leite materno e os médicos. A autora cita, inclusive, uma outra referência para dizer que
"os fabricantes vendem, mas os médicos controlam: uma relação mútua vantajosa entre médicos e companhia de alimentos infantis está estabelecida". E afirma que essa mesma referência utilizada sugere que os médicos estão desejosos de cooperar porque vêem na alimentação artificial um meio de controlar os pacientes "porque estes passariam a procurá-los mais".
Se, nesse momento, você está achando tudo isso muito exagerado, vou te contar uma coisa. Eu perdi as contas do número de mulheres que já me contaram terem saído da maternidade com uma prescrição de NAN. Sabe? NAN? Aquele complemento que é dado quando a mulher não consegue produzir leite suficiente, ou quando não é bem orientada, ou quando simplesmente não quer amamentar? Tem muito médico por aí sim senhora prescrevendo NAN como se fosse a coisa mais natural do mundo.

Mais natural do mundo? Peraí, senhor doutor. Alto lá. O mais natural do mundo é amamentar. Dar complemento não é natural. Complementação deveria ser utilizada APENAS e SOMENTE quando a mãe, por diferentes motivos, não está conseguindo produzir leite em quantidade suficiente. E concomitante a tantas técnicas e compostos lactogogos (que induzem a lactação) que existem. Eu, que sou doutora mas não sou médica, conheço vários, imaginem vocês que estudaram para isso - ou que deveriam ter estudado, pelo menos...

Dar receita de complementação para uma mulher que tem total condição de amamentar é ir contra o "a ninguém darei por comprazer nem remédio nem um conselho que induza a perda", do juramento de Hipócrates. Ou, ainda, é agir contrariamente à Declaração de Genebra, quando esta diz "não usarei meu conhecimento médico em princípios contrários às leis da natureza".

Não se engane você, distinta e consciente mãe que utiliza complementação por não ter podido amamentar - a despeito de querer muito -, pensando que foram feitos para você e seu filho. Não, não foram. Os substitutos ao leite materno foram desenvolvidos pensando naquelas mães que OPTARAM por não amamentar. Porque aquelas que, por razões diferentes, não conseguiram amamentar, tinham seus filhos alimentados por outras mulheres, por mães-de-leite, por amas-de -leite. As fórmulas e complementações tiveram sua origem visando especificamente um público: as mães que NÃO QUISERAM amamentar.

Uma mulher que não quer amamentar está negando ao seu filho o direito básico da melhor saúde que poderia ter desde o nascimento. E não, essa não é a minha opinião, essa é uma constatação. E é pra você, ó nobre senhora, que toda essa parafernalha midiática é feita.

A complementação, os substitutos ao leite materno, salvam muitas vidas e, quando bem administrados, mostram incontáveis benefícios. E é para isso que deveriam ser utilizados. No entanto, existem muitos estudos mostrando que a quantidade de bebês que realmente necessita dos substitutos ao leite materno é muito pequena. A autora do artigo que menciono neste texto, inclusive, faz o seguinte comentário:
"os lucros das companhias, entretanto, não teriam sido auferidos se só este mercado [os dos bebês que realmente precisam de complementação] fosse atingido. Daí a tarefa de criar nas mães (e nos médicos) a "necessidade" de tais produtos formulados ter sido dever bem cumprido através das técnicas de "marketing" por todos esstes últimos cem anos. A imagem do produto perfeito, que leva a bebês robustos e facilita a vida da mulher, é vendida com toda a sofisticação e invade os vilarejos mais distantes". 
Eu não precisei oferecer complementação à minha filha, com a graça da Deusa das Divinas 
Tetas, a quem agradeço todos os dias com toda devoção. Se precisasse ter oferecido por não ter podido amamentar, faria com a consciência tranquila de estar fazendo o que é melhor pra ela, depois de tentar tudo o que fosse possível para amamentar. Mas não me deixo ser pescada por outros produtos dessas mesmas indústrias. E é por isso, também, que eu não ofereço à minha filha nenhum tipo de alimentação pronta de indústrias como essas. Nenhum potinho. Porque acho que já tem mulher demais sendo pescada pelas promessas de aparente facilidade e saúde "enfrascada".

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

O choro das crianças por Laura Gutman

Já falamos algumas vezes sobre o Choro das Crianças. É um tema que tira o sono e, muitas vezes, a estabilidade das mães (se bem que na maioria dos casos, como diz a própria Laura Gutman, nós já estamos instáveis, os pequenos apenas refletem essa instabilidade para nós mesmas...)

Aqui temos um vídeo curto, mas com dicas muito bacanas sobre como podemos encarar o choro dos nossos pequenos:

É um vídeo não listado, por isso, é preciso acessar no youtube através deste link:
http://youtu.be/hb6BML_XUbU

Livre tradução:
"...Meu filho chora todos os dias antes de ir à escola.Não sei mais o que fazer para que vá feliz...
Para começar, precisamos lembrar que a criança sofre. Por acaso precisamos de mais evidências? Mudemos a nós mesmas, ao invés de querer mudar a criança. Precisamos detectar se a professora é rígida ou autoritária, se as demais crianças são hostis,  se sente-se sozinho ou se passa horas demais na escola. Perguntemos a nosso filho o que ele gostaria e busquemos alternativas que possam satisfazê-lo. Deixemos de lado nossas posições sobre o correto ou incorreto. As crianças estão mais conectadas com seus seres essenciais, por isso podem traduzir aquilo que não está bem para eles. Se ouvimos nossos filhos e nos deixemos guiar por eles, dificilmente nos equivocaremos."

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Nossos filhos crescem...e precisam de escolas, professores...

Escolas, escolas...Quando comecei a pensar em "escola" estava dando aula na Universidade e vi tantos olhos apagados na platéia, tão acostumados a copiar e colar, preguiçosos de criar, de pensar, de se colocar...Claro que encontrei com muitos olhinhos brilhando, cheios de esperança de mudar o mundo, mas os outros mexeram tanto comigo que pensei: Preciso trabalhar com a pontinha do Iceberg, e pra mim ela é o nascimento, o primeiro ano de vida, a primeira infância.

Estamos todos despreparados para sermos pais e mães e com isso, deixamos crianças despreparadas para serem o melhor delas também...Mas não há culpas!!! Somos todos produto de um sistema educacional que segue a mesma lógica há séculos, desde a Revolução Industrial, acreditam? Nosso modelo de escola comum é o mesmo desde lá...Porém a sociedade inteira já se transformou, as pessoas tem informação onde querem e na rapidez que querem, as crianças estão muito mais rápidas e espertas do que éramos há 30-40 anos...Não é de se esperar que a educação acompanhasse isso tudo?

Pois há muitos projetos educativos interessantíssimos que entendem toda a responsabilidade de ajudar o ser humano a ser mais feliz, mais autêntico, mais interessado pelo mundo e mais inteirado de si mesmos. Um deles é a Escola Caminho do Meio, minha paixão, a qual rendo meus amores e agradecimentos a cada profissional que dedica seu tempo.




O outro é este, olhem que bacana: Universidade das Crianças

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Lucanices!

Ter escolhido ficar com meu filho por dois anos em casa foi a melhor decisão que tomamos! Muitas pessoas pensam que isso é utopia de quem "pode"...Estudei muito para entender que "todo mundo pode". Como traz Ken Robinson, a moeda do mundo é a criatividade, e eu ainda acrescentaria: e o mundo precisa de coisas e serviços e pessoas tão diversas, quando há gente em seu chão! Nosso trabalho pode ser o que a gente quiser, desde que a gente tenha brilho no olho e amor pelo que faz!

E foi pensando nisso que passei a trabalhar em casa, no meu Studio de Desenvolvimento Humano, fazer trabalhos pontuais na Unimed e, claro, não poderia ter deixado de olhar com todo meu amor pra Escola Caminho do Meio, de "quem" já falei algumas vezes aqui. E por trabalhar bastante em casa, acompanho cada curva do meu pequeno. Isso é muito precioso, vemos como ele passa a pensar, que escolhas toma e porque, entendemos seus movimentos físicos e emocionais e por isso, podemos acolhê-lo exatamente sobre o que ele precisa (e não necessariamente, quer).

Hoje o Lucano está meio período na escola que administro, pensando em uma educação libertadora para nossas crianças todas. No período da manhã ele fica comigo e/ou com o Alberto. Assim, conseguimos pegar cada pérola do desenvolvimento dele, que me alegra muito! Chamo as sapequices do Lucano de Lucanices e anoto-as todas, para que ele possa ler sua própria história, quando quiser.

As dessa semana são estas:

-Na casa da vovó:
-Princesa, você quer casar comigo?
-Quero.
-O casamento vai ser aqui no meu submarino, vem!
E lá se vai a vovó pra trás do sofá, digo, do submarino do Lucano...

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-Mãe! (adoro quando ele começa suas frases assim!) Porque você e o papai casaram?
-Por que a gente adora ficar junto, conversar, namorar e nos amamos...
-E eu?
-A gente queria muito ter você.
-E se eu for adulto?
-Você vai poder casar, se quiser...
-Eu vou querer casar com você!
-Porquê?
-Por que eu gosto de você!
(Aí meu coração derrete todo!)


...
-E se tivesse uma menina homem? (agora é tudo:" e se...")
-Ou é menina ou menino...ou é mulher ou é homem...
-E você é o que?
-Mulher...
-E eu?
-Menino.
-Não! Sou homem! (falando baixinho: "me chama de homem!")


Adoroooooo!
 Taí a foto do baita homem, com bigode de feijão, que contracenava comigo nessas brincadeiras de viver!