segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Lucanices!

Ter escolhido ficar com meu filho por dois anos em casa foi a melhor decisão que tomamos! Muitas pessoas pensam que isso é utopia de quem "pode"...Estudei muito para entender que "todo mundo pode". Como traz Ken Robinson, a moeda do mundo é a criatividade, e eu ainda acrescentaria: e o mundo precisa de coisas e serviços e pessoas tão diversas, quando há gente em seu chão! Nosso trabalho pode ser o que a gente quiser, desde que a gente tenha brilho no olho e amor pelo que faz!

E foi pensando nisso que passei a trabalhar em casa, no meu Studio de Desenvolvimento Humano, fazer trabalhos pontuais na Unimed e, claro, não poderia ter deixado de olhar com todo meu amor pra Escola Caminho do Meio, de "quem" já falei algumas vezes aqui. E por trabalhar bastante em casa, acompanho cada curva do meu pequeno. Isso é muito precioso, vemos como ele passa a pensar, que escolhas toma e porque, entendemos seus movimentos físicos e emocionais e por isso, podemos acolhê-lo exatamente sobre o que ele precisa (e não necessariamente, quer).

Hoje o Lucano está meio período na escola que administro, pensando em uma educação libertadora para nossas crianças todas. No período da manhã ele fica comigo e/ou com o Alberto. Assim, conseguimos pegar cada pérola do desenvolvimento dele, que me alegra muito! Chamo as sapequices do Lucano de Lucanices e anoto-as todas, para que ele possa ler sua própria história, quando quiser.

As dessa semana são estas:

-Na casa da vovó:
-Princesa, você quer casar comigo?
-Quero.
-O casamento vai ser aqui no meu submarino, vem!
E lá se vai a vovó pra trás do sofá, digo, do submarino do Lucano...

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-Mãe! (adoro quando ele começa suas frases assim!) Porque você e o papai casaram?
-Por que a gente adora ficar junto, conversar, namorar e nos amamos...
-E eu?
-A gente queria muito ter você.
-E se eu for adulto?
-Você vai poder casar, se quiser...
-Eu vou querer casar com você!
-Porquê?
-Por que eu gosto de você!
(Aí meu coração derrete todo!)


...
-E se tivesse uma menina homem? (agora é tudo:" e se...")
-Ou é menina ou menino...ou é mulher ou é homem...
-E você é o que?
-Mulher...
-E eu?
-Menino.
-Não! Sou homem! (falando baixinho: "me chama de homem!")


Adoroooooo!
 Taí a foto do baita homem, com bigode de feijão, que contracenava comigo nessas brincadeiras de viver!



segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Por que os bebês choram? Parte 2



E o assunto "choro" não passa! Reparem então em suas emoções ou desejos...
Os bebês são um reflexo de nós. Existem coisas que não estamos a fim de enfrentar em nós mesmos e relegamos às nossas sombras, pois essas coisas não passam despercebidas sob a pele sensível de nossos pequenos! Tem bebês que choooooooooooram, mas chooooooooooram, e os pais não sabem mais o que fazer, não é mesmo?

Então eles me perguntam: O que esse bebê tem????
E eu os pergunto: Espera um pouco. Como você tem se sentido? Por que tem vontade de chorar?
Como diz Laura Gutman, em menos de meio minuto essa mãe enche os olhos de lágrimas!
Aí sim, vamos ver porque o bebê chora!

Quando estava nos dias mais difíceis de choro do Lucano, eu passei a fazer algo interessante:
Ele começava com aqueles choros sem fim e eu sentava na poltrona com ele, abraçava e ia dizendo em seu ouvidinho (mas era um dizer pra mim mesma): "Calma, tá tudo bem, calma" Assim, eu ia respirando fundo, dizendo isso bem baixinho e ME acalmando...logo ele ia se acalmando também!

Pensem nisso! Dá pano pra manga!
Podemos conversar nos grupos sobre isso, não é?

Um beijo, Ju

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Por que os bebês choram? Parte 1


Esta semana vamos falar sobre um tópico que aflige TODOS os pais, acho até que todas as pessoas em geral...afinal é só uma criança chorar que lá vem alguém dizendo: "Não choooooraaaa!".

Ninguém aguenta ver outra pessoa chorando e, por mais que não reconheça, isso mexe com nossos choros internos, nossas angústias e nossa incapacidade de fazer o outro feliz...É verdade, o outro só vai ser feliz se ele quiser, não fosse isso, todos os terapeutas estariam ricos e ninguém mais se suicidava nesse mundo, não é?

Enfim, estamos falando de um choro que é ainda mais difícil de ouvir, por que é o do nosso filho! A gente quer é que esse choro pare logo! Mas se pararmos para pensar que o choro é a linguagem dos bebês mais audível, é por causa dele que os pais conseguem descobrir por exemplo, se o bebê está com a fralda suja ou tem fome...

Acontece que tem choros e choros...e é sobre isso que vamos conversar nesses dois vídeos sobre o choro. Ainda podemos falar tanto mais...deixemos isso para nossas discussões em grupo, para ficar bem recheado de exemplos e maneiras diferentes de se lidar com o choro. Afinal, a gente conhece muita coisa de bebê e de choro, mas como cada ser é único, cada um tem suas motivações para chorar e calar, sorrir e se expressar como conseguir. Por isso precisamos estar muito conectados, desacelerados e atentos, para olhar no fundinho do olho do nosso bebê e conseguir entender o que se passa com ele, porque é só assim que o chorinho dele vai acalmar!

Espero ter ajudado!
Um beijo, Ju

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Dicas para a troca de fraldas sem assaduras!


Dicas!!
Esta semana trouxe as dicas para evitar assaduras...nessa época ainda estava sem experiência de vídeo, mas as dicas continuam MUITO válidas!

Pode parecer estranho andar com uma garrafinha de água na mochila do bebê, mas sinceramente, isso nunca me incomodou. Meu kit de troca de fraldas na rua sempre foi uma garrafinha com algodão e uma fralda de tecido para secar depois. É só acostumar-se e, pela minha experiência, recomendo que a gente já comece a se acostumar desde o primeiro dia com o trio de troca de fraldas. Nunca tivemos problema de assaduras! A gente se acostuma!

O mais importante é sempre secar o bebê depois de passar o lencinho umedecido ou o algodão com água. O que acontece com o lencinho umedecido? Ele tem perfume, então esse perfume geralmente dá alergia ou irritação na pele do bebê...experimentem se limpar com lencinho umedecido...é horrível! O algodão com água jamais vai irritar, ainda mais se secarmos bem depois da troca!

Fica a dia então!

Um beijo, Ju


segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Como ajudar o desenvolvimento do bebê



O bebê chegou! E agora? A princípio, ou a olhos rasos, ele mama, dorme e faz cocô...Mas o mundo inteiro está se apresentando a ele desde o primeiro respirar fora da barriga! Uma recém-mãe, cheia de hormônios da lactação no corpo, sensível, com dúvidas até o último fio de cabelo, se sentindo só (por mais que tenham pessoas em volta) ou no mínimo sem saber o que fazer quando o bebê chora demais, precisa ter sua tribo de mães e trocar informação com elas!

Foi pensando nisso que investi forte no meu trabalho que, hoje lá se vão 10 anos, aproxima mães, pais, bebês e informação amorosa  e eficiente para que possam sentirem-se seguras e deixar seus filhotes seguros também. Então, quando tive o Lucano, e optei por ficar 2 anos com ele em casa sem trabalhar, decidi fazer esses vídeos que, somados ultrapassam a marca das 200 mil visualizações! Ueba!!! E é pra isso mesmo, espalhar boa informação, que ajude nas maiores dúvidas dos pais, para que a gente crie filhos que se amam, se conhecem, se aceitam e são seguros porque tiveram isso de seus pais quando bebês.

Esse vídeo é um dos mais vistos no youtube sobre desenvolvimento infantil. Ofereço para que todos possam entender um pouquinho o que podemos fazer com nossos pequenos em casa, para ajudá-los a se desenvolverem.

Um beijo, Ju

domingo, 1 de setembro de 2013

O Renascimento do Parto ou Como recuperar uma sociedade doente...

Antes tarde do que nunca...Ontem fomos assistir ao Renascimento do Parto. ( ! )
A cada cena, a moça a meu lado se contorcia na cadeira, meus olhos vertiam lágrimas enquanto meu coração retumbava no peito o nó da garganta. Embora eu seja uma profissional da área da saúde, porque não fui atrás dessas informações ha 4 anos?

Minha história foi contada pelos olhos e vozes de muitas mães e profissionais comprometidos com a felicidade do mundo (que começa quando nascemos). A mesma história: Bolsa rota em casa, o médico orienta irmos ao hospital, então começa  a grande farsa! "Você não teve dilatação, seu bebê vai entrar em sofrimento, precisamos tirá-lo para sua segurança e dele!" Mensagens subliminares da cultura do medo. Temos medo da morte, medo do parto, a sexualidade é tabu (ainda!). E o parto traz a tona tudo isso que a medicina do achismo se aproveita para protagonizar um momento que deveria ser tão natural quanto quando fazemos o bebê (ou o médico precisa estar conosco na cama?). A gente confia no médico, mas não confiamos em nós mesmos!!! Na nossa capacidade de gerar, conseguir, ir em frente, sentir!

O que aconteceu com os altos índices de cesariana no Brasil tem a ver com o medo de sentir. É mais fácil que eu não me envolva, que "a coisa" venha pronta pra que eu não passe trabalho, que meus medos fiquem quietinhos lá dentro, que meus hormônios não se ativem, e que eu tome alguns remedinhos que me deixarão "tranquila". Pois aí é que está o engano! Se não nos informarmos direito, continuaremos a criar uma sociedade que não sente, que não se envolve, onde as relações são descartáveis e a gente só para (quando pára) pra perceber quando estamos doentes ou alguma coisa muito grave acontece pra gente se dar conta que precisamos ter mais presença!

O que escrevo aqui não é uma crítica pessoal, é uma crítica à cultura que engolimos e repetimos como se fosse verdade sem buscarmos evidências. Só que a gente pode parar de repetir "verdades" infundadas sobre o parto e o nosso nascimento como mães e dos nosso filhos, e entender o que está por trás "do cordão enrolado, da bacia estreita, do gorda demais ou magra demais, da bolsa rota, da ausência do trabalho de parto, do não teve dilatação" e mais do que isso, as consequências (graves) de sermos levadas à cesárias desnecessárias.

E então você olha pra mim e diz:
"Mas correu tudo bem! Meu filho está saudável, viu?"
(eu sei, pensei muito isso pra justificar porque não tive um parto normal). Mais uma desculpa da medicina que tem hora marcada, que não pode esperar a hora certa de nascer e que ganha muito pouco com partos normais. Sabe por que eu não tive trabalho de parto e o Lucano estava alto? Porque não nos deram o tempo fisiológico para que liberássemos nossos hormônios e seguíssemos o tempo da vida. Suprimiram minha cadência natural quando me deitaram naquela cama antes de tudo começar, impedindo a liberação dos hormônios que só o seriam com amor e aconchego. Ninguém gritou comigo no hospital, meu marido estava ao meu lado e a sala estava com luz suprimida, palco montado do falso uso do termo "parto humanizado". Então quando falam em "Violência Obstétrica", você diz: "Não!! Me trataram bem! Meu filho nasceu saudável!", e fica escondido que os "procedimentos padrão" são desnecessários e que por si só já são uma violência, pois inibem a produção de hormônios que ajudarão na saúde física e emocional de mães e filhos antes, durante e depois do nascimento e te tratam como mais um, sem considerar sua história, seu emocional, seu momento!

Então, eu olho pra você e digo: Vá ver esse filme!! Uma sociedade que repete o que todo mundo diz, sem beber da evidência científica, é dominada por interesses comerciais. Todo mundo deveria saber o que o filme retrata!!

Agradeço profundamente aos diretores do filme, Erica de Paula e Eduardo Chauvet. A todos que apoiaram a realização desse filme e aos profissionais sérios e comprometidos conosco que participaram dele: Michel Odent - médico fisiologista, Ricardo Jones - obstetra e homeopata, Melania Amorim - obstetra e pesquisadora, Esther Villela - Coord. da Área Téc. da Saúde da Mulher, no Ministério da Saúde, Daphne Rattner - médica epidemiologista, Laura Uplinger - psicóloga, Heloissa Lessa - enfermeira obstetra, Ana Cristina Duarte - obstetriz, Naoli Vinaver - parteira mexicana, Robbie Davis-Floyd - antropóloga, autora de Birth as an American Rite of Passage, entre outros.

Depois do filme, meu marido olha pra mim e diz: "Nosso próximo filho vai nascer em casa!"
Aí meu coração bate tranquilo, ele também acredita que somos capazes de gerar saúde e cuidarmos de nossa vida sem sermos medicalizados por medo!



* Só uma observação: meu filho nasceu num dos "melhores" hospitais de Porto Alegre, Moinhos de Vento, que brada a quatro ventos que agora tem ambiente humanizado, mas segue fazendo cesárias pra dar e vender. Quando cheguei ao hospital, sem trabalho de parto, fizeram lavagem intestinal e rasparam meus pêlos bem ali onde, horas depois, cortaram minha barriga pra tirar meu filho, que tinha batimentos cardíacos completamente normais até a cirurgia! (Como eu liberaria todos os hormônios necessários a um TP após uma lavagem intestinal??? Montaram o cenário perfeito pra um cesária às 07h da manhã, pra que a médica pudesse manter sua agenda normal 30 minutos depois do procedimento). A mesma médica que passou minha gestação dizendo: preocupe-se com o parto na hora do parto! Fuéfuéfuéfué.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

O Ministério da saúde adverte (o que doulas já falam há muito)

Se o Ministério da Saúde recomenda (e adverte), se há práticas que há mais de 10 anos são obsoletas (e segundo o ministério, foram banidas!), por que hospitais considerados "os melhores" das cidades, como o moinhos de vento em POA, continuam usando de práticas invasivas que todo mundo tá dizendo que não se fazem mais? As doulas já estão falando isso há muito, precisam gritar, lutar, por uma coisa que é natural e cientificamente comprovada.

Quero levar informação às pessoas, para que a gente pare de aceitar coisas protocoladas que não fazem mais sentido e se configuram como violência! Vejam o que diz o ministério da saúde (pra quem ainda não escutou o barulho das doulas e precisa de mais credenciais):

"Os procedimentos modificaram até cerca de 10-15 anos atrás, ela (a gestante) ficava em jejum, por exemplo, ela tinha uma depilação feita na região que potencialmente pudesse estar envolvida no momento do parto, era feita uma lavagem intestinal e hoje isto já está completamente proscrito (isto significa: banido!).  

Para diferenciar más de boas práticas é importante você e sua família saberem que é considerado uma MÁ prática a episiotomia, aquele corte no genital da mulher, sem uma indicação correta. A minoria das mulheres tem necessidade dessa indicação. Já uma BOA prática é a mulher ter o apoio contínuo da equipe, do acompanhante e da doula. 

No SUS a mulher é incentivada a fazer o parto na vertical, nessa posição a força da gravidade facilita o nascimento do bebê, a circulação sanguínea da placenta aumenta e as articulações se expandem mais, melhorando as contrações. Depois do parto o estímulo é para manter o contato direto da mãe com o bebê."

Hospital Moinhos de Vento, retrate-se por continuar fazendo as más ações em seu protocolo.

Pra quem está curtindo a gravidez em sua plenitude, atenção,  essas práticas causam sintomas físicos e psíquicos a longo prazo. Ou por que vocês acham que a maioria das mulheres que passam por isso ficam nervosas com as manifestações do bebê, não se sentem capazes de acolhê-lo e tremem quando vão amamentar, dar banho, fazer dormir, etc, etc. E mais, já pararam para pensar por que a maioria dos bebês não é tranquilo? (essa é uma longa conversa, que teremos mais pra frente)

O que estão ensinando nas faculdades de medicina? Por que os médicos mais antigos não se reciclam? Ah! É mais fácil ficar como está, aliás praticar isso gera medicalização, afasta as pessoas de suas conexões, causando dependência dos pacientes no que esses "profissionais" dizem...Além disso, também é mais fácil enrolar a gestante (como fizeram comigo) até a hora que o médico pode atender e se livrar logo de você, fazendo uma cesária...Ou mais fácil ainda, fazer tudo antes do carnaval, ou do feriado, ou do que mais o médico precisar...Mas não pensem que eles todos fazem isso "honestamente", a maioria diz a você: não pense no parto agora (na gestação...mas então quando?), você precisa passar pelo protocolo do hospital: deite-se, precisamos fazer lavagem, raspagem, esperemos o médico...eles acabam com a possibilidade biofisiológica de você ter um parto que facilite a liberação de hormônios benéficos para você e seu bebê, as contrações importantes que trazem junto a capacidade de sentir-se plena, e do bebê ser massageado por toda nossa musculatura, liberando hormônios e possibilitando que sinta-se seguro ao nascer, fortalecendo seu sistema imunológico...

"Ah, mas o que a gente pode fazer?"
Informadas, podemos dizer que não aceitamos que façam isso conosco!
"Ah, mas faltando uma semana pro nenê nascer?"
Sim, essa é a hora: a tempo de termos um atendimento verdadeiramente humano e respeitoso conosco e com nosso bebê, que vai evitar que passemos por maus bocados mais à frente! Informação e Atenção!

Não vamos deixar que as pessoas nos subestimem mais, nos desrespeitem, esse é nosso papel. Depois de termos informação, cada uma de nós, somos responsáveis por estarmos inseguras com nossos filhos, por impedirmos nossos corpos de funcionar como a biologia pede, pela intranquilidade de nossos pequenos, porque continuamos indo no médico que nos enrola, que faz (?) a maioria dos partos dele (?), que diz que devemos cuidar do enxoval, que de nós eles cuidam (???), de quem é mesmo a responsabilidade? Vamos em frente, sejamos ativas, atentas, cuidemos de nós, não vamos mais deixar a responsabilidade na mão de outros por nos cuidar, para depois nos sentirmos culpadas (??).